segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Crowded

A sensação é a de abrir o armário lotado e ver a bagunça se empilhar aos seus pés. As coisas foram se acumulando de forma não tão saudável que penso que cometi algum erro de percurso. É fim de período da faculdade, organização para o RONDON, início da gestão do centro acadêmico e simplesmente o mês mais intenso no trabalho. Vocês precisam ver a bancada do meu quarto: divido espaço com folhas de papel cortantes, roupas dusivosamente limpas e uma poeira espessa. Tenho que apelar. Meus horários se apertaram. A madrugada se tornou a opção mais viável, mas me dá uma tensão infernal. Nenhum ENO Guaraná vai tirar esse gosto de urgência e preocupação que, de hora em hora, sobe pela garganta.

domingo, 28 de novembro de 2010

Qualificando a nudez

O que é uma pessoa bem resolvida dizer isso, mas olha, inovar no sexo é coisa pra gente inteligente. Não estou falando de vulgaridade, mas falando de erotismo, sensualidade e volúpia num sentido quase literário (hahahahaha, né). Não necessariamente parte de uma insatisfação, mas de uma ousadia aguda, emocionada, só disponível nas melhores cabeças do ramo (q?). Além de imaginação e criatividade entra em jogo um elemento chave quando o objetivo é uma noite “inesquecível” a dois (ou três ou quatro ou...): uma visitinha a um sexshop. Foi onde fui com o Victor Machão ontem, plena 9h da madrugada. Sou o amigo do século.

Nos barraram na porta alguns minutos, pediram nossa carteira de identidade e tudo. “Sério? Tou bem assim?”. Eu teria ficado mais feliz se as pessoas que estavam passando na rua não tivessem nos encarado como doentes. Geral pensa que eu tenho um relacionamento proibido com o Machão. Até trabalhamos a idéia: “homoafetividade sem intercursos”, bromance, happy rock S2. Não avançamos no debate. Fica aí o mistério. Em todo caso, nossa visita ao ‘templo do prazer em mercadorias estranhas’ foi, sobretudo, edificante. Demos um F5 nas fantasias: géis, adereços, roupas, perfumes e sensações térmicas. Só achei nada a ver a gente ter comprado velas aromáticas em uma casa de umbanda.

Dignidade, quem curte?

*Justice Vs Simian - We are your friends, um hino

Fazia muito tempo que eu não ia em uma festa em que as pessoas não se destroem, não terminam a noite distribuídas como em valas compartilhadas. Diferente. Aquela sensação de chegar no banheiro e não ver um sinal de vômito, não ver ninguém caído numa pose vetorial futurista. Me senti parte de uma geração decadente. As últimas festas que eu fui (cabelo ao vento gente jovem reunida feelings) foram polêmicas. São as festas com o pessoal de Jornalismo da UESPI, momentos onde são estabelecidos novos limites morais, mais amplos e elásticos. #temei

Ontem, nessa festa comportada, reencontrei a Natasha. Ela nasceu biologicamente homem, daí um dia acordou numa banheira de gelo, operada. A parte boa é que ele não precisa mais fazer o “truque”. Resignificação de gênero, total apoio. Mesmo com uma pessoa desse tipo no ambiente, a coisa não se encaminhou para o deboche coletivo. Pensei em fazer minha parte, usando aquele combo mágico = vexame+desmaio+Aretuza. Quem nunca? Sou mais jovem que muito calouro.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Em nome da rosa

Estou cobrindo uma série de eventos organizado por um órgão ligado à Defesa dos Direitos da Mulheres. Sabe, aqueles 16 dias de Ativismo, campanha global. Hoje foi a ação Mulher no Esporte, envolvendo jogos e competições. Começou com os times de vôlei e futebol femininos, Tranqüilo, bola vai bola vem e nenhuma vez fui o alvo. Então ouço os gritos do fim do mundo. na quadra ao lado. Rio de Janeiro feelings. Tava rolando uma senhora pancadaria entre as competidoras de kung-fu. Gente, juro, aquilo era pessoal, mágoa reincarnada. Dia Internacional de não Violência contra a Mulher FAIL.

Lá, conversando com a arquibancada, conheci a Dona Fátima. O nome dela é Maria Sousa Silva. Eu perguntei, ahm, “oxente, que história é essa?!”. Ela não sabia explicar a história dos nomes, portanto, quem era realmente. Olhei sério nos olhos dela, depois para o horizonte. Refleti profundamente. Pensei em abraçá-la e recitar Albert Camus, dizer que sim, eu também sabia o que era aquilo, existir e ao mesmo tempo não ser ninguém, um estrangeiro de lugar algum. Quando movi os braços na direção dela, fizeram um gol. Ela vibrou tanto que eu me aquietei, meio frustrado

Dou nome às roupas. Algumas merecem um. Gosto muito da Blindagem, minha camisa de assaltos mal sucedidos. Tipo hoje: fui de calça branca. Às vezes esqueço onde trabalho. Quando percebi era tarde demais – tinha uma mancha barrenta e lovecraftiana que pegava uma perna inteira do jeans. A batizei de Timeline.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Oficina de engolir o choro

[1] Exploda com a porra da situação.

[2] Enfrente a merda toda que vier pela frente.

Finitude

No último episódio da sexta temporada de Grey’s Anatomy, Bailey tenta salvar a vida de um cara que foi baleado pelo louco atirador que invadiu o hospital. De repente ela olha pra cima e pergunta “De onde diabo tá vindo essa água?!”- questão razoável, porque tem uma água misteriosa inundando o ferimento exposto. A garota estúpida que está com ela (Mary, opaca), horrorizada, responde “Dr. Bailey, são lágrimas. A senhora tá chorando”. A mulher nem percebeu, de tão desesperada.

Um pouco mais adiante, essas duas tentam levar o cara agonizante até à sala de cirurgia, em outro andar. Arrastam o moço um bom pedaço, deixando um rastro de sangue pouco artístico, mas, tsc, o elevador está quebrado - coisa da SWAT pra evitar a movimentação do maluco pelo prédio. Fudeu. Bailey.Grita.Puta.Da.Vida. A menininha pergunta “E agora, o que nós vamos fazer?!”. Cair na real, não tem mais absolutamente nada que ela possa fazer.

Ela senta do lado do moço e abre o jogo. “Você vai morrer, mas eu vou ficar do teu lado, beleza”. Beleza o caralho, e comigo, quem fica? Me embrulhei até a cabeça de pura cumplicidade, com o rosto enterrado no travesseiro. Em que ponto eu cheguei. Nem de Grey’s eu gosto.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Stop'nd go

Admiro quem tem opções. Gente que largou medicina pra fazer letras espanhol. Bonito. Gente que desistiu de fazer história na UFPB porque achou desorganizado e foi pra UNB. Não desistir de um sonho (só um nome genérico) penso, é um ato de coragem, sob uma carga heróica de autoconfiança. Aplaudo, dou tapinha nas costas, take it easy e firmeza. Eu tenho uma lista aqui, na qual constam Economia, Ciências Sociais e Mochilismo. Tinha "hipster", mas risquei (hahaha).

Olha, eu tenho opções, claro, e são bem práticas: continuar onde estou ou qualquer-outra-coisa-que-vai-acabar-me-matando-de-fome. Portanto, não são bem, ahm, viáveis. Eu tenho tempo, acho, tipo as células totipotentes de um embrião, que podem ser qualquer coisa - até um certo momento em que não podem mais. Entendeu?

Não tenho condições de continuar explicando.

Tem uma cena que resume essa conversa e me poupa a vergonha pública de chorar feito uma criança. Naquela série Som&Fúria (baseado na canadense Slings and Arrows), Andréa Beltrão interpretou uma atriz de teatro, que, na real, depois daquilo bati palmas. A cena é essa aqui, do episódio 5, começa exatamente aos 6 minutos, mas vale a pena ver tudo:


"Você é muito bonitinho quando não tá maluco".


Basicamente, é o meu momento.

domingo, 21 de novembro de 2010

Conselhos e Regras


Advice for all my children¹ e Rules for my unborn son² são dois oráculos. Fica aí esse trabalho de sensibilidade loser.

Quero ir embora


Esse fim de semana foi lindo, muito astral. Infelizmente, eu não tenho um sorriso verdadeiro para dar agora porque não sei enfrentar a segunda-feira, esse dia que traz galopante todas as frustrações da semana. Onde fica a saída da minha rotina? Tem que ver isso ae.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

outer space



Quase tão alto quanto eu preciso estar nesse momento.
Making off

Coleta seletiva, me leva

Voltei a trabalhar hoje. Uma sexta à tarde. A oportunidade pra ter ficado em casa foi perdida quando me comprometi a fazer a cobertura de uma caminhada sobre limpeza urbana. Do tipo ganhei meu dia. O ponto máximo foi o capacete com cheiro de ferro (= sangue), porque moto é meu segundo nome. Logo depois eu voltei pra redação e me senti um lixo. Eu sei, vocês não tem culpa dessa coisa bizarra. Eu saí da minha casa, deixei meu torrent ligado... Crente que ia chegar abafando e receber o maior carinho, o maior amor do mundo, mas eu me senti um nada, uma porcaria. Vem Cláudia, senta aqui comigo.

Confessar viu, sou o cara que perde as coisas legais. A diversão antropológica do show do Ponto de Equilíbrio, a feira de artesanato mundial, o namoro e o bom humor. Na real, eu nem penso se mereço algumas coisas, nem questiono. Será Karma? Não importa. Sorte? Bléh. Eu sei que ter comido três sacos de batata frita, frias, salgadas e murchas, é sinal maior da falta de amor próprio, não da cólera celeste. Minha vontade agora é uma piscina de vodka com bóias de limão.