sábado, 25 de setembro de 2010

Estado de Sítio

"In the ancient recipe, the three antidotes for dullness or boredom are sleep, drink, and travel. It is rather feeble. From sleep you wake up, from drink you become sober, and from travel you come home again. And then where are you? No, the two sovereign remedies for dullness are love or a crusade.
- D. H. Lawrence"
Olha, Teresina é uma cidade de poucas opções. Ao menos, obviamente, se você for esquizofrênico e considerar uma louca diversão ir beber de madrugada em uma loja de conveniência no posto da Petrobrás. Hm, é, fica pior. Temos um toque de recolher às 3 da madrugada. Nenhuma festa pode ultrapassar esse limite. Porque Teresina só não tem limites pro tédio e pra depressão.

Não sou eclético, longe de mim. Entretanto, aceito pequenas doses, meio que por osmose.

Tem esse amigo, o Jhon, ele tem um blog TheCulturalizando, onde posta a agenda de quase tudo que vai rolar na cidade - é melhor que muitos jornais locais, de boua. Quase tudo porque tem umas paradas under, quebradas total, que só sabe mesmo quem tem negócio (isso, eu já tive rs). Mas sabem, os tipos de eventos são bem semelhantes e previsíveis. "Ôpa, vai ter Validuaté hoje, vamzzzZZZZZZZZ", tem outra opção? "Ahm, não".

Nesse sentido, pouca coisa surpreende. Além disso, uma coisa me incomoda muito. Ou você sai pra beber, ou você sai pra comer, ou ambos. E eu estou me tornando gradativamente um alcoólatra obeso, sem brinks. E cada vez mais sem alternativas, a gente fica querendo explodir -ou cortar os pulsos. Vide meu carnaval CONTEÚDO CENSURADO

Meu lugar de fuga? Sítio Paraíso, algumas dezenas de quilômetros e alguns graus menos quente. Beijos, Iúna!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Festival de Bonecos

No auge da minha compulsão, comprei um celular. Sempre usei os modelos mais básicos e ultrapassados, mas ainda assim super funcionais e resistentes. Só tomei essa decisão depois que o telefone antigo estava com o teclado meio solto, parecendo uma barriga grávida. O mais relevante na questão é que tinha um troco disponível e achei uma promoção 0400 em uma loja virtual.

O novo aparelho chegou de manhã. Li as instruções rapidinho, coloquei pra carregar e decidi que deveria testar suas ferramentas. Rá! "Fazer uma produção independente improvisada", achei manjado. Queria eu ser criativo, mãs. E lá vou no Festival SESI de Bonecos, digitalmente incluído na vibe tecnologia&mídia. morri

O resultado foi o primeiro programa do Projeto DoisMegapixels.


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Qtau? Aceito sugestões de quase todos os tipos. Indicar lugares indelicados para colocar o vídeo não está nessa lista, ok.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

De volta pra minha casa

Não tenho carro, moto ou muito dinheiro pra táxi. Sou uma pessoa sem posses, né, mas sensata. Então, carona é uma coisa comum na minha vida, perdendo para ônibus e caminhadas suadas. Nem adianta, você já passou por isso um dia. Caso não, que pena, porque é uma aventura necessária (ok, quero me convencer). Conversando isso com a Talita França, decidimos que um tutorial social quase nunca é demais.

É quinta-feira, a roupa tá separada, lugar escolhido, galera ok. E sim quinta-feira é o começo do fim de semana, reflitam. O “Ir” geralmente não é o maior problema, dependendo do horário, os ônibus ainda estão disponíveis.

Festa e bar são eventos imprevisíveis. Chegar com um plano limpo e atóxico não quer dizer absolutamente nada. Limite é uma palavra com significado tão flexível, não é mesmo?
Voltar pra casa, minha gente, é hora. A Talita acha que moto-taxistas são estupradores profissionais e que esquartejam por hobby, ou isso ou cobram mais do que merecem, fim de papo. E acha que táxis são para novos ricos que não estão nem aí pra escolher o motorista da rodada, além do que aquele rádio irritante não fica quieto e o taxímetro é um faminto caça-níquel (que você, se tiver um pouco de lucidez, fica acompanhando de segundo em segundo).

Para evitar surpresas (hahahahahaha) você aceita uma carona. Talita Gloria Kalil França me sopra algumas situações básicas e como proceder:

Caso I – Carro lotado é coração de mãe?

Tem aquela carona coletiva onde vai todo mundo numa verdadeira pilha de corpos. Às vezes não dá pra fugir. Sem timidez, se permita, okay. RS. Amizade é isso.

Caso II – Ajudo na Gasolina?

Não é ofensa.

Caso III – Escolhendo a Carona.

Sair com casaizinhos pode ser um problema. De repente rola aquele super clima e, rá: “putz tem o mala do carona”. Arrumar carona é que nem escolher roupa tem que pensar antes pra não se sentir mal no final.

Up: Quando você tiver seu carrinho, pratique. De minha parte, esperem uma linda Comb Verde.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Popups no asfalto


Em tempo de eleições tem um momento chamado Colagem. Juntam-se os candidatos e os simpatizantes para, de bairro em bairro, irem distribuindo adesivos, cartazes, santinhos e colar material da campanha. Pois bem, lembrei de uma matéria que vi sobre street art de um cara, Felipe Tofani (lab.ftofani.com), que coloca uns adesivos pelos postes do bairro onde mora em São Paulo. Dã, e daí? Entanda do que estou falando:



Se antes as redes sociais eram um segundo momento das relações, um plus, agora é o primeiro passo. E como a internet é uma extenção da realidade das pessoas, embora alguns insistam em tentar começar uma do zero, velhos problemas de personalidade ganham um novo palco - maior e com mais público. Não, não estou fugindo da ribalta. Só acredito que somos levados a crer que a vida virtual é tão mais interessante, de forma que esquecemos até mesmo de escovar os dentes de manhã cedo e vamos direto ao twitter. É, foi meu caso. Ah,não venham mentindo que nunca aconteceu!rs A César o que é de César.

E ainda nesta linha, o Tom Scott (.com) sugeriu uma série de etiquetas que segundo ele resolveriam os excessos e a falta de sinceridade da mídia. Seria melhor transformá-los logo em carimbos:

Antipropagandas à parte, o que mais precisa de uma onda creative&critic? Já indico: carros&paredões de som, já que em Teresina a Delegacia do Silêncio esqueceu o telefone no vibracall.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Moto Taxi e a Alta Costura

Dia 7 de setembro é o dia da Independência do Brasil. É quando acontecem os Desfiles Cívico Militar: bandas de música, pelotões temáticos (paz, amor, índio, natureza, tecnologia), soldados/policiais marchando, arsenais, autoridades em palanques, ruas interditadas e por aí vai. É como se fosse o carnaval da ordem e progresso. Em Timon, cidade onde trabalho, o desfile aconteceu hoje(2), no centro da cidade, e continua amanhã (3), em um bairro não tão longe do centro da cidade. Sim, dois dias e dois desfiles (oi?).

Repetindo o mantra "eu amo meu emprego" chego bem cedinho, 15h, para a concentração. O que tenho que fazer é registrar e formatar numa linguagem específica (ou Jornalismo). Sob 40ºC é muito fácil ficar impaciente, já que falar com as equipes de segurança, saúde e cerimonial exige uma certa estabilidade emocional. Cumprida minha coleta de falas, vou para casa por volta das 18h e não, o desfile ainda não tinha começado. Como eu tinha aula, meu chefe ficou para continuar a cobertura. O primeiro horário começa às 18:30h. Estava atrasado, as ruas interditadas mudaram o percurso do ônibus então peguei um moto-taxi, essa aventura emocionante e imprevisível.

Primeiro, ele não sabia onde eu queria ficar. Disse que iria guiar. Dei um ponto de referência que ele vagamente confirmou. Perguntei quanto ficava e paguei adiantado, uma estratégia que faz eles irem menos depressa, sigo acreditando. Segundo, no início do trajeto ele me diz que está com a carteira vencida a dois meses, por isso não vai muito longe, mas que ia me deixar mesmo assim. Tudo bem respondi, "você não é o único". Infelizmente ele não estava muito a fim de se arriscar. Ele avistou luzes e um engarrafamento: "Fudeu, é Blitz e é grande!" . Então ele vai fazendo o retorno. Estavamos a essa altura em cima de uma ponte.

Enquanto o filminho do meu acidente se projetava, um ciclista grita em resposta ao mototaxista - "Não é Blitz! É o corpo de bombeiro". Razoável. Explicou a fumaça que eu achei ser de poucas proporções. Ele, aliviado, começa a me contar um pouco da sua história, talvez em retorno à minha compreenção. Veio de Brasília, mas antes trabalhava aqui em Teresina (onde eu moro) na fábrica de tecidos da Guadalajara. Ele era do setor que desfazia as costuras erradas. Passava o dia todo desfazendo as costuras. O que convenhamos, deve ser extremamente enfadonho, isso se você não for um chuaua neurótico. Pergunto a quanto tempo ele está no ramo ao que ele conta que começou como moto-taxi só recentemente, mas em Brasília entregava pizza. Me senti uma alho e óleo, sem borda de catupiry.

Ele usava uma jaqueta jeans clara, comecei a prestar atenção depois dessa história dos tecidos. Tinha uns detalhes em aço que superavam sutilmente o nível "básico". Vou percebendo que é uma boa jaqueta, parece até meio velha, mas está em boas condições. Me espanto quando noto que achei a jaqueta realmente bonita. Susto ainda maior quando vejo a marca: Ellus. Ele me deixa em casa e eu peço o cartão dele, conduta inimputável,ok . Não tinha. Então deixa pra lá, me despeço. Atrasado, tomo banho e vou pra aula. Havaiana e bermudas, meu traje social.