domingo, 19 de agosto de 2012

Sobre ir até o fim


Bukowski, que faria 92 essa semana se tivesse vivo, é radical quanto a começar e terminar as coisas:

If you’re going to try, go all the way. Otherwise, don’t even start. This could mean losing girlfriends, wives, relatives and maybe even your mind. It could mean not eating for three or four days. It could mean freezing on a park bench. It could mean jail. It could mean derision. It could mean mockery — isolation. Isolation is the gift. All the others are a test of your endurance, of how much you really want to do it. And, you’ll do it, despite rejection and the worst odds. And it will be better than anything else you can imagine. If you’re going to try, go all the way. There is no other feeling like that. You will be alone with the gods, and the nights will flame with fire. You will ride life straight to perfect laughter. It’s the only good fight there is. 

No muscles to show


No canto de uma página de um jornal qualquer vi um anúncio fitness no qual Mike, um nipo-americano hiper musculoso, propagandeava um programa de exercícios. Fiquei curioso porque tava lendo uma notícia séria e aquilo parecia deslocado da composição geral. Acho que fui só fisgado pelo contraste (e em grande parte em como aquilo não se encaixa na minha vida flácida). Daí clico e sou direcionado pra uma animação que explica como a parada funciona.

O nome do projeto é “sixpack shortcuts” e só então me toquei que se referia aos seis gominhos que brotam de barrigas saradas. O japa em questão apela para justificativas como “se torne atraente para mulheres e respeitável perante outros homens”. Tá. Lógico, o papel dele é fazer isso parecer fácil.

No mais, a animação seguia dizendo que aquele era o melhor método, blábláblá, um tal de “afterburn efect”, rapidez nos resultados, fácil de fazer em casa, cabe em rotinas atulhadas, etc. A retórica do atalho.

O que me faz lembrar um artigo sobre babar pelos corpos bonitos durante as Olimpíadas. A questão levantada gira em torno da admiração que, quase involuntariamente, eles inspiram.   São corpos com propósitos e nesse ponto se tornam invulgares porque indissociáveis de uma mente, se tratando não só máquinas de resultados, mas com um empenho gigante em se provar e superar limites – e isso fica latejando, sobretudo, na cabeça das pessoas que nunca o fazem.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ballons



Rola um pouco de receio de estar enchendo balões furados. Básico: se a função do balão cheio de ar é voar, o destino dos balões vazios ou furados é cair. Essa metáfora é pertinente na medida em que usar o fôlego, gastar o ar à toa é bem foda. Funciona mais ou menos como nesses seriados nos quais a classe recebe ovos para cuidar como se fosse um filho. Eles se forçam a dar atenção, ficar de olho. É uma lição sobre o cuidado e exige um bocado de lucidez.

Acontece da autocrítica sair do controle e você sair olhando torto pra tudo que você acha que faz direito, pensando “tá certo isso, bom o suficiente?”. Quando eu tava terminando a monografia, portanto aquele momento meio tenso de se ver obrigado a vizualisar projetos de longo prazo, passava boa parte das noites com Lee e Yako. Somos amigos que podem se julgar sem relutância e sem pegar leve, porque, sério, pra quê camuflagens? 

Em uma daquelas noites fomos obrigados a lidar com a burocracia dos prazos. Lee teve que comprar passagens aéreas por telefone (dados, muitos dados!), eu tive que escrever meus slides da apresentação num guardanapo porque faltavam poucos dias e nunca tinha rolado a vibe antes, e Yako deveria acordar muito cedo - seria um dia importante no trabalho. Já eram duas da manhã e a gente tava bem alto. Embora a gente tenha conseguido, ficou aquela impressão de que, haha, a irresponsabilidade é muito sedutora. Em uma mão um balão, na outra uma agulha.

Os balões murchos desse post são do projeto Inflated/Deflated.

 

 

domingo, 5 de agosto de 2012

Nordic way

Descendo a barra de rolagem do G.reader, me deparo com um editorial da Hansen e me senti estranhamente familiarizado com o conceito e mais do que isso, com as situações nas quais os modelos foram enquadrados. Tem sido raro me identificar com alguma coisa que tem entre as tags o termo “fashion”. Talvez porque dessa vez, ao contrário do que se espera de modelos masculinos em páginas de revistas - exalando juventude e vivacidade - a marca dinamarquesa traz em suas imagens jovens senhores vestidos confortavelmente e sem extravagância. Btw, a fotografia é de BentRené Synnevåg.

Mais do que pensar no valor e no acesso às roupas da Hansen, acredito que o mais importante é ter sido tocado pela inspiração de seus criadores ao ponto de atentar para algumas de suas bases. Fora que nem de moda eu entendo pra me arriscar dando pitaco.


“Sunday Bests” combined with “Work Wear”. Às vezes, mais parece que equipe de fotografia seguiu um homem de seu escritório até a praia ou até o jardim da casa, onde, imagino, ele deva ir de vez em quando tomar um ar. E ele não mudou de roupa no caminho. Isso tira o peso da idéia do trabalho e diminui a distância de quem ele é, seja trabalhando, seja curtindo a paisagem sentado num rochedo. Apesar do ar indiscutivelmente adulto é possível sentir certa leveza.

“The message of HANSEN is clear: simple, honest and democratic everyday wear with longevity”. A descrição segue dizendo que coisas como “consumismo” e “tendência” foram deixados pra trás. Existe também uma naturalidade/sobriedade nas cores: preto, branco, alguns tons de azul e de  marrom e outras matizes sutis. O nome responsável pela marca é Aase Helena Hansen, sueca residente na Dinamarca. “Força silenciosa” é o que ela diz melhor descrever a coleção do ano passado, mas acredito ser uma constante até hoje. São peças que, segundo ela, são desejáveis na medida em que são compreensíveis (e justamente funcionais).