No canto de uma página de um
jornal qualquer vi um anúncio fitness no qual Mike, um nipo-americano hiper musculoso,
propagandeava um programa de exercícios. Fiquei curioso porque tava lendo uma
notícia séria e aquilo parecia deslocado da composição geral. Acho que fui só fisgado
pelo contraste (e em grande parte em como aquilo não se encaixa na minha vida flácida). Daí clico e sou direcionado pra uma animação que explica como a
parada funciona.
O nome do projeto é “sixpack shortcuts” e só então me toquei que se referia aos seis gominhos que brotam de
barrigas saradas. O japa em questão apela para justificativas como “se torne
atraente para mulheres e respeitável perante outros homens”. Tá. Lógico, o papel
dele é fazer isso parecer fácil.
No mais, a animação seguia dizendo
que aquele era o melhor método, blábláblá, um tal de “afterburn efect”, rapidez
nos resultados, fácil de fazer em casa, cabe em rotinas atulhadas, etc. A retórica
do atalho.
O que me faz lembrar um
artigo sobre babar pelos corpos bonitos durante as Olimpíadas. A questão levantada gira em
torno da admiração que, quase involuntariamente, eles inspiram. São corpos com
propósitos e nesse ponto se tornam invulgares porque indissociáveis de uma mente, se tratando não só
máquinas de resultados, mas com um empenho gigante em se provar e superar limites – e isso fica latejando, sobretudo, na cabeça
das pessoas que nunca o fazem.
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