domingo, 19 de agosto de 2012

No muscles to show


No canto de uma página de um jornal qualquer vi um anúncio fitness no qual Mike, um nipo-americano hiper musculoso, propagandeava um programa de exercícios. Fiquei curioso porque tava lendo uma notícia séria e aquilo parecia deslocado da composição geral. Acho que fui só fisgado pelo contraste (e em grande parte em como aquilo não se encaixa na minha vida flácida). Daí clico e sou direcionado pra uma animação que explica como a parada funciona.

O nome do projeto é “sixpack shortcuts” e só então me toquei que se referia aos seis gominhos que brotam de barrigas saradas. O japa em questão apela para justificativas como “se torne atraente para mulheres e respeitável perante outros homens”. Tá. Lógico, o papel dele é fazer isso parecer fácil.

No mais, a animação seguia dizendo que aquele era o melhor método, blábláblá, um tal de “afterburn efect”, rapidez nos resultados, fácil de fazer em casa, cabe em rotinas atulhadas, etc. A retórica do atalho.

O que me faz lembrar um artigo sobre babar pelos corpos bonitos durante as Olimpíadas. A questão levantada gira em torno da admiração que, quase involuntariamente, eles inspiram.   São corpos com propósitos e nesse ponto se tornam invulgares porque indissociáveis de uma mente, se tratando não só máquinas de resultados, mas com um empenho gigante em se provar e superar limites – e isso fica latejando, sobretudo, na cabeça das pessoas que nunca o fazem.

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