quarta-feira, 21 de setembro de 2011

GPS da depressão

Hoje de manhã acordei mais tarde que o habitual. Nem me chateei em perder a carona e ir de ônibus até a agência. São só 20 minutos, tudo bem. Não que estivesse de bom humor, nada contra, mas era outra coisa. Levantei sem preguiça e igualmente sem pressa. Lavei o cabelo, tomei café, arrumei a mochila. Saí sem dar bom dia pra ninguém. Não que eu estivesse de mal humor, nada contra, mas era outra coisa.

O futuro se desenha quando se fecha os olhos, imaginava. Tentei e não deu certo. Pisquei, pisquei, tentei de novo e nada. Fiquei assustado porque, como assim, cadê os planos da pessoa que fecha os olhos e não se vê (seja no topo ou no fundo). Não soube lidar com a situação e fiquei bem mimimi. Conversei com minha mãe outro dia, falei que tava meio largado e que, “sério mãe, como faço?”. Ela me olhou um pouco consternada e resumiu com um “é natural, você é jovem”.

Holden, em O Apanhador no Campo de Centeio, é um cara meio perdido e justamente por isso eu gosto da história.Tem uma passagem que me vem na cabeça sempre :

Nem sei porque estava correndo - acho que era só porque me tinha dado vontade. Depois de atravessar a estrada senti um negócio esquisito, como se eu estivesse desaparecendo. Era uma dessas tardes meio malucas, fria pra burro, sem sol nem nada, e a gente se sentia como se estivesse desaparecendo toda vez que atravessava uma estrada.
Estou fora da rota, andando na neblina.

sábado, 10 de setembro de 2011

Via única para Marte


A Lua parece ter saturado os poetas, os amantes e pelo visto até os cientistas. Vou confessar também que olho só de vez em quando. Com o corte de gastos nos investimentos da NASA, abandonaram o projeto de um emocionante retorno da raça humana em missões tripuladas. Uma vez em pauta esta aventura galáctica, fala-se da exploração de Marte até 2030, e como alternativa para diminuir os custos (igualmente astronômicos) deram a sugestão de enviar uma missão sem volta, uma vez que esta etapa é a mais dispendiosa.

Ou seja, os enviados aceitariam ir, mas sem garantia alguma de retorno e, ok, morrer por lá mesmo. Tenso? Considerem o argumento: alega-se um risco aceitável frente ao ganho científico. Outros artigos do nerdíssimo Journal of Cosmology, o espírito aventureiro e desbravador são ressaltados, evocando as grandes navegações, a ‘descoberta’ do novo mundo e vai além, quando fala da honra de representar a Terra e do encanto que seria vê-la de Marte da mesma forma que o assistimos daqui – apenas um corpo brilhante no céu. Vale lembrar que 40 anos depois da Apolo, ninguém deu lá outros grandes passos no cosmos.

O desafio em colonizar Marte é prover e sustentar a existência dos alienígenas (nós, no caso) em um ambiente não apenas hostil, como inóspito. Minha missão, vejo, é apenas menos megalomaníaca/interplanetária. Consiste em sobreviver a uma série de pequenas catástrofes diárias (furacões, tornados e tsunamis) afetiva e profissionalmente falando. Feito astronauta, me sinto chegando agora, porque tudo é meio novo e leva um tempo pra se acostumar com o console, a lidar com o painel de botões. Vou errando porque não deixaram um manual. Do lado de cá, tento cultivar uma terra árida, sem tanto sucesso. Chove pouco e passo fome. E só pra variar, estamos em guerra.

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PS.: Spielberg trouxe um marciano pra Terra certa vez. Alimentou, deu abrigo e apresentou uma turminha de amigos do barulho com quem aprontou altas confusões, mas assim que ele entendeu como funcionava a primitiva forma de comunicação daqui, saiu logo dizendo “quero voltar pra casa!”. E voltou, provavelmente muito chateado com a gente, porque na minha cabeça, Guerra dos Mundos é a vingança do pobre E.T.=/