
A Lua parece ter saturado os poetas, os amantes e pelo visto até os cientistas. Vou confessar também que olho só de vez em quando. Com o corte de gastos nos investimentos da NASA, abandonaram o projeto de um emocionante retorno da raça humana em missões tripuladas. Uma vez em pauta esta aventura galáctica, fala-se da exploração de Marte até 2030, e como alternativa para diminuir os custos (igualmente astronômicos) deram a sugestão de enviar uma missão sem volta, uma vez que esta etapa é a mais dispendiosa.
Ou seja, os enviados aceitariam ir, mas sem garantia alguma de retorno e, ok, morrer por lá mesmo. Tenso? Considerem o argumento: alega-se um risco aceitável frente ao ganho científico. Outros artigos do nerdíssimo Journal of Cosmology, o espírito aventureiro e desbravador são ressaltados, evocando as grandes navegações, a ‘descoberta’ do novo mundo e vai além, quando fala da honra de representar a Terra e do encanto que seria vê-la de Marte da mesma forma que o assistimos daqui – apenas um corpo brilhante no céu. Vale lembrar que 40 anos depois da Apolo, ninguém deu lá outros grandes passos no cosmos.
O desafio em colonizar Marte é prover e sustentar a existência dos alienígenas (nós, no caso) em um ambiente não apenas hostil, como inóspito. Minha missão, vejo, é apenas menos megalomaníaca/interplanetária. Consiste em sobreviver a uma série de pequenas catástrofes diárias (furacões, tornados e tsunamis) afetiva e profissionalmente falando. Feito astronauta, me sinto chegando agora, porque tudo é meio novo e leva um tempo pra se acostumar com o console, a lidar com o painel de botões. Vou errando porque não deixaram um manual. Do lado de cá, tento cultivar uma terra árida, sem tanto sucesso. Chove pouco e passo fome. E só pra variar, estamos em guerra.
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PS.: Spielberg trouxe um marciano pra Terra certa vez. Alimentou, deu abrigo e apresentou uma turminha de amigos do barulho com quem aprontou altas confusões, mas assim que ele entendeu como funcionava a primitiva forma de comunicação daqui, saiu logo dizendo “quero voltar pra casa!”. E voltou, provavelmente muito chateado com a gente, porque na minha cabeça, Guerra dos Mundos é a vingança do pobre E.T.=/