segunda-feira, 28 de novembro de 2011

John Kenn


O dinamarquês John Kenn é escritor e diretor de programas infantis. No tempo livre cria um universo particularmente monstruoso em post-its. Lembra um pouco o trabalho de Maurice Sendak (Where the Wild Things Are).


O blog dele (aqui) para mais ilustrações - que queria muito ter na geladeira, ao invés de simples "acabou o sabão em pó".

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Old but gold

Yako veio aqui em casa depois do trabalho. Tomamos um cafezinho com minha mãe daí fomos fazer aquele programinha delicioso: ver os álbuns de fotos da infância. O constrangimento pode ser traduzido em três fotos.


Atenção para o momento resgate quando eu era loiro feat lindo (antes da radiação ter me transformado). A foto é de outubro de 93 e tirada em viagem à Canindé, provavelmente pra pagar/fazer alguma promessa de adultos desesperados. Turismo religioso, quem nunca?


Esse dia eu não faço idéia do que rolou. Certamente bebi. Percebam minha postura de mini-indie misógino.

Turminha do meu.fuking.maternal. Quem se reconhecer me contata nos comentários, ok. Lembro de algumas pessoas, porque tenho memória eidética (só que não). Pensei em não dizer quem é quem por responsabilidade jurídica, mas seria muito ‘Q?’ ser processado por isso. Das meninas ali está a Catarina, que vomitava o café todo dia que deus dava. E sabe como é criança, quando sente o cheiro de vômito, faz igual. Ta aí a difusora da bulimia. Sorridentes Adelaide e o Alisson, primos, andavam junto o tempo todo e por isso eram chatos às vezes. Me recuso a falar sobre ele porque é tipo vizinho de bairro e aqui a gente paga dízimo pra não ser dizimado. Fica o apelo à UPP. Continuando, temos Indira, cuja mãe penteava bem direitinho pra ela se bagunçar toda. Muito danada. Ao meu lado tem o Elias, meu melhor amigo na época (que talvez veja esse post e passe a me odiar). Encontrei no Facebook uns dias atrás e o adicionei! O loirinho é o Wesley. Reencontrei com ele um dia por acaso, trocamos telefone e tudo. De cantinho o menino mais bonito, o Vitor, olhos azuis e tudo, mas chorão. Por fim, o "Cambotinha", cujo bullying pesado não me permite lembrar o nome dele.

Louca dos Gatos


Que o mundo tá cheio de gente maluca a gente sabe, difícil é esbarrar com uma senhora com, atenção: bipolaridade, depressão, síndrome do pânico, toc, dda e mais algumas dúzias de neuroses não catalogadas pela psiquiatria contemporânea. De A a Z, ela conseguiria citar um sintoma e um remédio. Muito tenso já que, mesmo com aquelas olheiras, ela não parecia ter mais de 40.

Pirar é mais fácil do que se imagina.
Segundo a OMS uma a cada quatro pessoas desenvolve algum tipo de problema mental ao longo da vida. Lendas dos quadrinhos o reteirista Grant Morrison e o ilustrador Dave McKean fizeram uma graphic novel, Asilo Arkham, que é o hospício pra onde o Batman manda uma galera errada de Gothan. Em uma passagem um personagem explica que a "distância" entre um homem mentalmente sadio e um insano é apenas “um dia ruim”.

O dia dessa senhora não era o primeiro, mas apenas um de muitos dias ruins. Ia de casa pra sessão da terapia quando uma bicicleta quase a atropelou, desencadeando uma crise. Ela se jogou em uns arbustos e começou a gritar, aterrorizada. Nossa turma do happy hour esbarra com ela, ainda em trauma. Depois de uns goles d’água, se acalma um pouco e a levamos para o consultório. No caminho ela conta umas e outras, enquanto a gente fazia o download do desabafo. Entre os dramas ela fala do marido, que a trocou por uma mulher mais nova, da família ausente, do consumismo patológico, da solidão e, claro, do rol imenso de doenças.

Chegamos à clínica e nos despedimos. Rolou uns abraços e ela disse que queria filhos como a gente. Pensei em “não, obrigado, liga pro GAF se precisar”, mas dei só um sorriso e assenti com a cabeça porque ela tinha lindos olhos azuis e não reclamaria caso herdasse. Louca dos Gatos é o mais novo nome na lista de encontros aleatórios formadores de personalidade. E em 2030, quando a depressão for a doença mais comum do planeta, lembrarei dela com carinho.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Velas apagadas

Tudo isso pode soar meio sem nexo, estranho e talvez apocalíptico. Faz um tempo li uma entrevista do Zygmunt Bauman, um senhor ícone da modernidade líquida. Em certa parte, ele dizia que sobrou pouco para nós, jovens: que todas as promessas de um mundo melhor são furadas, todas as instituições falharam e continuam em constante tilt, entretanto uma permanece digna de fé: nós mesmos, a instituição “Eu”. Na época julguei como radicalmente egoísta. Em passagem de um de seus livros, diz que muitos dessa “geração y” descolada e cheia de dramas nunca conseguirão um emprego ou um relacionamento fixo, além de sermos a sociedade do refugo, da superprodução de lixo e do consumo supérfluo. O pessimismo de Bauman é provocante. Às vezes, depende bastante do Prozac da galera, pode parecer a única interpretação razoável.

Qual seria sua mensagem para os jovens de hoje?

Gostaria que tentassem, apesar de tudo (e talvez esteja aí o elemento de nostalgia que você notou), apesar de todas as tendências em contrário e de todas as pressões de fora, reter na consciência e na memória o valor da durabilidade, da constância, do compromisso. Eles não podem mais contar, como a antiga geração, com a natureza permanente do mundo lá fora, com a durabilidade das instituições que tinham antes toda a probabilidade de sobreviver aos indivíduos. Isso não é mais possível e, na verdade, a vida humana individual, apesar de ser muito curta, abominavelmente curta, é a única entidade da sociedade de agora que tem sua longevidade aumentada. Sim, somente a vida humana individual vê crescer sua durabilidade, enquanto a vida de todas as outras entidades sociais que a rodeiam — instituições, idéias, movimentos políticos — é cada vez mais curta. Assim, o único sentido duradouro, o único significado que tem chance de deixar traços, rastos no mundo, de acrescentar algo ao mundo exterior, deve ser fruto de seu próprio esforço e trabalho. Os jovens podem contar unicamente com eles próprios e só haverá em suas vidas o sentido e a relevância que forem capazes de lhes dar. Sei que essa é uma tarefa muito difícil... mas é a única coisa que posso lhes dizer.

Ok. Chuck Palahniuk é um dos escritores que mais gosto. Motivos não faltam desde “Cantiga de Ninar”, primeira coisa que li dele antes de ‘Clube da Luta’. Depois veio “No Sufoco” e “Assombro” – cenário de muita sujeira, parafilias e neuroses. Hoje a tarde um grande amigo me veio deixar o “Snuff” e o “Diário”. Neste último, um dos personagens, Peter Wilmot, já foi muito rico, mas agora está em coma. Logo no início, no segundo escrito, de 22 de Junho (dá até pra ler aqui), traduz uma das coisas que se passa comigo além da descrença e do descrédito, tão assustadoramente descritos no quote – a velhice. Cadê meus Renew? risos. Não sei lidar com aniversários. Muito ou pouco, bom ou ruim? Tem gosto de euforia e adrenalina, de aposta, que supera o medo de falhar.

Percebam que Flapinho, outro aniversariante do mês, está mais feliz do que eu.