sábado, 21 de abril de 2012
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segunda-feira, 16 de abril de 2012
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Criar e destruir

Se hoje as pessoas demonstram o amor de forma virtual, através de pixels, seja em sms ou inboxes, em outros tempos cartas, poesias, músicas e pinturas ocupavam esse lugar. Não sou saudosista, a ideia é outra. Conheci recentemente uma história específica, e por isso considero marcante, da relação entre duas pessoas que foi expressa através de esculturas: marcado em estátuas de bronze e mármore por Camille Claudel e Auguste Rodin, escultores franceses, o percurso de um romance simbiótico que dá terrivelmente errado. Prefiro contar sob a perspectiva dela, a minha favorita, pra quem as coisas terminam de forma trágica.
Ainda pequena demonstrou vocação pra escultura, mas era um ofício extremamente masculino e caro. O machismo instaurado naquela época era tal que mulheres não podiam nem mesmo estudar o corpo nu “por razões morais”, por exemplo. Por acreditar em Camille, seu maior incentivador, o pai, muda-se com a família pra Paris, onde ela começa a ter aulas e acesso ao círculo artístico. É nesse contexto que a aluna conhece o instrutor, Auguste Rodin, em 1883. Mais tarde ela passa de assistente a amante e, nesse meio termo, é também musa. Sem dúvida, ela o inspirava. [leia mais]
Embora ele tivesse 45 e ela 19, o estilo dos dois é semelhante em técnica, mas a sensibilidade dela é incrivelmente singular, então Rodin confia a Camille a incumbência de moldar principalmente os pés e as mãos, que era por onde ele expressava as emoções de suas obras. Com o passar do tempo ela se tornou o membro de maior estima da equipe de escultores de Rodin, que ascendia em prestígio na medida em que recebia grandes encomendas do governo francês. Ela, apesar de seu brilhantismo, nem tanto. [leia mais]
Enquanto durou o affair, ambos esculpiram obras paralelas, embebidas na relação carnal intensa. É incrível ver cada escultura dela e relacionar com o nível de envolvimento com Rodin, principalmente quando ele acaba. Camille então entra em sua fase mais criativa, motivada principalmente pela busca de um estilo próprio. Entretanto, a proximidade com Rodin havia fincado raízes fundo demais, no sentido destrutivo e patológico do termo. [leia mais]
Uma obra capaz de fornecer um resumo seria A Idade Madura (L’Age Mûr). Na escultura, uma mulher abandonada pelo amante, imersa em dor, no chão. Ela marca o rompimento definitivo dos dois. [leia mais]
Adoecida emocionalmente pela obcessão, ela chega ao ponto de destruir tudo que cria, isolada em seu pequeno atelier. Sozinha, no escuro e em silêncio, rodeada apenas por blocos quebrados de seus moldes e uma infinidade de gatos, ela havia falhado em conseguir firmar uma identidade, pessoal ou artística, separada de Rodin. Com a mente em frangalhos e relegada pela família, ela acaba em um hospital psiquiátrico, no qual passa 30 anos internada – sem ter voltado a esculpir – e morre aos 79. [leia mais]
Enfim, a entrega e devoção dessa artista esplendorosa a um homem que exercia o papel de mestre, de amante e de pai é que parece lhe aproximar de uma neurose obsessiva. A arte de Camille só se sustentou enquanto pôde estar associada ao escultor mais famoso da França na época, Auguste Rodin. Mas a história foi além, pois a arte de Claudel era para si constitutiva, organizadora, possibilitadora de uma vida em sociedade. Quando lhe tiraram esse caminho, quando não foi mais possível o reconhecimento de sua arte pelas mãos daquele que era para si o mestre, o nomeador, a sua obra – e vida – tornaram-se insuportáveis, pois sem valor. - Uma hipótese de neurose obsessiva em Camille Claudel
Um filme biográfico, que eu preciso ver, foi gravado em 1988.

