segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Introspectiva 2011

Ontem, deitado no canto de uma quarto minúsculo, rodeado por pessoas bêbadas e confusas, ficou muito claro que esse foi o ano mais intenso que já aguentei. É o retrato de uma juventude metade Skins (ingênua e entorpecente), metade Friends (pelas piadas sem graça), com molho de South Park (pelo nonsense violento) e borda de Ugly American (pelo misticismo de mal gosto). Desesperados por referências e financeiramente insatisfeitos, usamos o restinho de vodka barata pra fazer coquetel molotov.

Não faço listas, nunca, e penso se talvez é a hora de começar. Não tenho muitas metas definidas e está difícil pensar agora porque acabei de acordar. Ontem pensávamos nos nossos happy hours e ficamos um pouco com medo de, ai, todo o material fotográfico e gravações caírem na imprensa. "A Decadência da geração Y" estampada nas publicações locais e nacionais, ecoando na TV aberta, envergonhando as famílias brasileiras. Decidimos, por fim, lançar nós mesmos essa compilação ousada. A celebração de um estilo de vida destrutivo. Mas não agora, ainda precisamos causar boa impressão. Adianto que será melhor consumido na versão pra Ipad.

Voltando, acredito que fazer listas envolve ter uma noção de prioridades. Certo, a primeira é terminar minha monografia. A segunda é conseguir de vez o certificado de proficiência. A terceira é me dar bem no emprego. A quarta é ler todos os livros que, em 2011, não passei da introdução bem como ver os milhares filmes que minha irmã baixou ilegalmente por torrent (nota mental: fazer um filtro entre as comédias, os romances e as comédias românticas). Quinta e última, pra não sobrecarregar as expectativas, é desenvolver uma identidade textual - calma, será copyleft.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

It Blogueiro

Minha primeira compra online foi um livro. Tinha todo aquele medo de cair em treta, meus pais desaprovaram, deram um chilique por causa dos dados, mas deu certo. Desde então, já pus nos carrinhos eletrônicos celulares e até bichinhos de pelúcia que queria dar de presente. Então, faz um ano ou dois, passei a comprar roupas online. Talvez por preguiça de ir ao provador, talvez pela pedância, quem sabe.

Mais recentemente descobri a Asos, um dos poucos motivos pelos quais uso o cartão de crédito. O título da loja é "The World's Biggest Online Wardrobe", a meu ver muito bem conferido, e funciona seja entre os produtos mais conservadores ou hipsters wannabe - e com muita coisa wereable num país tropical. Não sou fashionista, podem comprovar se me virem no 406, dormindo nas poltronas no caminho pra casa depois do expediente.

Primeiro, a Asos entrega em todo o mundo e não cobra frete – se entrega em Teresina, certeza, entrega em qualquer lugar. Segundo, aceita paypal, o que torna a transação um pouco mais barata e segura. Terceiro, os preços são coerentes e às vezes razoáveis (não iludo meus cabides, vou primeiro na sessão Sale). Quarto: procurando bem, é fácil achar algo mais legal e barato do que você jamais pensaria em achar aqui.

Sim, demora. A primeira compra demorou 20 dias, a última, dois meses. Sim, se passar de U$50,00 a mercadoria é taxada. Sim, vicia - cheguei à minha tímida décima primeira compra e prometi dar uma parada até abril, mas né. Fora a parte consumista, a Asos tem sessões interativas e de conteúdo original singulares como o blog Press Play que revela alguns nomes poucos explorados pela indústria fonográfica - e muito utilizados por indies para se gabar.

Das piadas, o alvo

Acordei pouco antes das quatro da madrugada, tomei um banho rápido e esperei o telefone tocar. Não demorou muito, estava do lado de fora de casa, subindo numa moto, sem capacete. Fomos para a casa do cinegrafista, daí pegamos os outros integrantes da equipe de carro. As filmagens eram em um município vizinho e tínhamos que chegar antes das seis. Durante a viagem, cerca de 40 minutos, fui no banco de trás, no meio. As curvas da estrada, caso pudesse ser vista de cima, formariam a caligrafia de "tragédia".

Chegamos com antecedência e esperamos na porta da garagem de onde sairia o ônibus escolar. Nosso objetivo era registrar a rota pela qual ele passava, buscando os alunos. Todos saíram do carro para tomar um cafezinho. Como tinha passado aquele tempo todo em situação pouco confortável, preferi esperar no banco. Sem as outras pessoas, o espaço extra era um convite e bastou achar um lugarzinho bom para encostar a cabeça. Terno e inevitavelmente: dormi.

O jornalista me sacode porque, finalmente, é a hora de irmos, o ônibus está de saída. Ele, os cinegrafistas e o motorista/fotógrafo, todos riem muito. Em pouco tempo entendo o porquê. Era minha foto na tela de um celular: esparramado no banco de trás, com uma pouco atrativa boca aberta. Se fosse um vídeo, eles diziam, daria pra me ouvir roncar. Meu sono estampado na cara atrapalha o sorriso amarelo quando vejo a parte de cima da tela, numa barrinha azul está escrito “Facebook”. Faz parte do meu lugar na agência aguentar diariamente certas doses de sadismo, então relevo. Sou o estagiário.