Acordei pouco antes das quatro da madrugada, tomei um banho rápido e esperei o telefone tocar. Não demorou muito, estava do lado de fora de casa, subindo numa moto, sem capacete. Fomos para a casa do cinegrafista, daí pegamos os outros integrantes da equipe de carro. As filmagens eram em um município vizinho e tínhamos que chegar antes das seis. Durante a viagem, cerca de 40 minutos, fui no banco de trás, no meio. As curvas da estrada, caso pudesse ser vista de cima, formariam a caligrafia de "tragédia".
Chegamos com antecedência e esperamos na porta da garagem de onde sairia o ônibus escolar. Nosso objetivo era registrar a rota pela qual ele passava, buscando os alunos. Todos saíram do carro para tomar um cafezinho. Como tinha passado aquele tempo todo em situação pouco confortável, preferi esperar no banco. Sem as outras pessoas, o espaço extra era um convite e bastou achar um lugarzinho bom para encostar a cabeça. Terno e inevitavelmente: dormi.
O jornalista me sacode porque, finalmente, é a hora de irmos, o ônibus está de saída. Ele, os cinegrafistas e o motorista/fotógrafo, todos riem muito. Em pouco tempo entendo o porquê. Era minha foto na tela de um celular: esparramado no banco de trás, com uma pouco atrativa boca aberta. Se fosse um vídeo, eles diziam, daria pra me ouvir roncar. Meu sono estampado na cara atrapalha o sorriso amarelo quando vejo a parte de cima da tela, numa barrinha azul está escrito “Facebook”. Faz parte do meu lugar na agência aguentar diariamente certas doses de sadismo, então relevo. Sou o estagiário.
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