Comecei a ler um livro, Alegria Breve, de Vergílio Ferreira, autor português. Conta - lá vou eu com meus resumos de 140 caracteres - a história de um cara solitário que vive em um lugar frio e deserto, abalado pelo tempo e um tanto cansado de espírito. Já chorei umas três vezes e olha, não estou nem na metade. Gente, não sou uma pessoa triste, acredito. Explico usando como exemplo uma entrevista com um fotógrafo, Laurence Winram, onde ele fala sobre as fotos “perturbadoras” que tira. Ele diz que não é um reflexo da vida pessoal dele, que definitivamente não possui uma personalidade sinistra – “Não gosto desse lado obscuro, exceto quando expresso artisticamente”. Taí. #Querdizer não é um aspecto total da vida fotógrafo, mas uma faceta mais ou menos bem localizada e com um objetivo que ele conseguiu delimitar. Está posto o desafio.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Direcionar a sensibilidade
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O quarteirão
Legendas via legendas.tv
Christine - Então, ao final do próximo quarteirão nós vamos nos separar. Na rua Tyrone.
Richard - Sim, o letreiro da "Ice Land" é metade do caminho.
Christine - É o ponto da...metade do caminho. "Ice Land" é... o ponto em um relacionamento, sabe...onde subitamente você percebe que não vai durar para sempre. Sabe, você pode ver o fim.
Richard - Rua Tyrone. Sim, mas nós nem estamos lá ainda. Nós ainda estamos na parte boa. Nós nem estamos cansados um do outro ainda.
Christine - Eu não estou cansada de você de jeito nenhum. E wow! Tem sido bom nesses seis meses, certo?
Richard -O quê? Seis meses? Então o letreiro da "Ice Land" representa oito meses? Você acha que a gente só dura um ano e meio?
Christine -Eu não sei. Eu não quero ser presunçosa. Eu não sei se você é casado ou o quê.
Richard - Eu não sou. Bem, eu sou separado. Nos separamos mês passado. Eu estava pensando... que a Tyrone... fosse 20 anos pelo menos.
Christine - É?
Richard - É.
Christine -Ok. Bem, na verdade eu estava pensando... que a Tyrone, é quando a gente morre de velho. E isso é toda a nossa vida junta, este quarteirão.
Richard - Viu, isso é perfeito.
Christine - Façamos desse jeito.
Richard- Ok.
Christine -Bem, acho que não pode ser evitado. Todo mundo morre.
Richard -Eu poderia andar com você até o seu carro.
Christine -Talvez a gente só devesse se orgulhar... que a gente viveu essa longa, boa vida juntos. Sabe, é muito mais do que a maioria das pessoas terão.
Richard- Ok.
Christine -Ok. Bem, não fique com medo.
Christine - Ok.
Richard - Aqui vamos nós.
Christine - Aqui vamos nós.
Prazos de validade
Hidrantes: homenagem a esse símbolo-obsessãoQuatro anos, diz aquela propaganda eleitoral, é muito tempo. Mas é relativo, o tempo. Maria Rita canta sobre uma estação que na verdade é a vida, onde pessoas vão, vêm e tornam a se encontrar. Isso resume tudo: encontros e despedidas. Se uma parte das coisas e pessoas boas que conheci foi por acaso, outra foi por cuidado, por me importar. Me importo, incrivelmente, e me dói entender que a esteira do tempo é bem filha-da-puta, não aceita barganhas e pá, se vacilar derruba uma galera.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Expectativas

Eu devia ter uns 10 anos (pausa para o choque) meu deus, 10 anos atrás... Certo, era Natal e eu sabia que não ia ganhar nada porque meus pais já tinham me explicado a idéia das dívidas e que boa parte delas envolvia a tortuosa sina de cuidar de mim. Daí meia noite me aparece a porra de uma bola de futebol, uma do tipo que a gente chama aqui de “bola de leite” - por causa da borracha molinha usada como matéria prima. Nem de futebol eu gostava, mas caí no choro, depois comecei a rir e voltei pras lágrimas. Bipolaridade infantil, quem curte?
A melhor forma de não se frustrar é educar as expectativas. Tento não alimentar alguns sonhos, só pra não me arrepender depois. Desfaço planos, apago metas e retiro estrelinhas douradas do meu quadro de recompensas porque, juro, seiqualé. Penso, por exemplo, em ligar para o curso de Design (que já paguei) e me re-matricular, mas não tenho horário disponível nem forças pra me dedicar bonito. Fica pra próxima semana e assim ad infinitum. Promessas são coisas sérias, nem atrevo a fazê-las pra mim mesmo, assim, por qualquer coisinha. Se bem que eu não preciso de promessas, mas de um cronograma. Enfim, se você espera o pior, quando ele não vem à toda carga, ótimo. Sobra um espaçozinho pra ser feliz e meio besta.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Sem promessas
Domingo, entre 3:00 P.M. e 3:00 A.M. O dia começa cheio de atividades pendentes do dia anterior. Infelizmente, não há nada em vista que indique mudança da situação. Pra amenizar a culpa, os amigos reunidos são uma boa opção.
Contraste. Um bar no meio do nada com gente que obviamente não pertence aquele lugar. Está rolando um bingo (que ano é hoje?) e o meu lugar é junto ao globo, chamando as bolas sorteadas, fazendo piada com os números. Foi o aniversário da Menina-que-trabalha-lá-em-casa. Achei coerente. Desejei uma carteira assinada, mas não da minha parte.
[memória corrompida]
Daí que quando me dou conta, estou em um caminhão polvilhado de cimento, areia e seixo. Repito: um caminhão. Dessa vez, o carregamento é de seres humanos (ok, podem discordar). Quando chegamos ao destino, outra festa de aniversário, o motorista resolve criar a sinfonia das mil buzinas. Só resta mesmo descer, com um lindo sorriso, e dizer “parabéns, querida, trouxemos uma mensagem pra você”. Feliz aniversário pra quem, afinal?
Animalescamente, ataquei a mesa farta - feita por uma mãe carinhosa, usando muito queijo, manteiga e farinha de trigo. Bate a depressão pós gula. A vergonha, o descontrole, as lágrimas. Abstinência alimentar, um drama da ficção agora perto de vocês.
[memória corrompida]
A noite segue como um carrinho de rolimã sem freio em uma ladeira rumo a uma cerca farpada. As cicatrizes estão logo abaixo dos olhos e não sairão com anti aging. Acho bonito a pessoa dizer “não prometi dignidade a ninguém” e levantar como se não tivesse feito na-da. Bonito.
Ps.: Voltei pra casa naquele mesmo caminhão, que aprendi a amar e respeitar.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Silhueta
Um dia eu me questionei dos meus hábitos alimentares super condicionados. Então parei com algumas coisas idiotas, tipo empanado, hambúrguer e outras frituras sem sentido, refrigerantes. Até passei tempão sem comer carne, o que não me dá o direito de sair tatuando um porquinho no braço -"Love-me. Don’t eat me”. Eu não crio expectativas, um dia explico. Quando eu decidi voltar a ser onívoro, foi porque o cheiro do bife acebolado estava delicioso. Não me traí, apenas fiz o que queria. No bad feelings. Daí que hoje, o que eu como tem mais a ver com uma questão de humor. Não preciso comer só carne, nem só legumes, mas se eu estiver a fim... De boa. E sim, minha anemia oscila por conta disso.
Eu não gosto de academia, não faço o tipo. O tempo mais longo que agüentei foram uns dois meses, indo de bom grado. Assim que ficou chato, gradativamente larguei. Tou gordo, não louco. Enfim, a melhor coisa era ter mais fôlego a cada semana, correr e correr. Melhor coisa. Desde que eu voltei, recentemente, fui 10 vezes no máximo, contando com o dia da matrícula e o que eu passei pra pegar os horários. Acho que é descompromisso mesmo. Chega uma hora que não faz sentido algum, é só rotina. Entende? A Filosofia deveria ter uma área de estudo específica para o Estômago, esta caixa de pandora 3D - drama, dúvida e desejo.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Crowded

A sensação é a de abrir o armário lotado e ver a bagunça se empilhar aos seus pés. As coisas foram se acumulando de forma não tão saudável que penso que cometi algum erro de percurso. É fim de período da faculdade, organização para o RONDON, início da gestão do centro acadêmico e simplesmente o mês mais intenso no trabalho. Vocês precisam ver a bancada do meu quarto: divido espaço com folhas de papel cortantes, roupas dusivosamente limpas e uma poeira espessa. Tenho que apelar. Meus horários se apertaram. A madrugada se tornou a opção mais viável, mas me dá uma tensão infernal. Nenhum ENO Guaraná vai tirar esse gosto de urgência e preocupação que, de hora em hora, sobe pela garganta.
domingo, 28 de novembro de 2010
Qualificando a nudez
O que é uma pessoa bem resolvida dizer isso, mas olha, inovar no sexo é coisa pra gente inteligente. Não estou falando de vulgaridade, mas falando de erotismo, sensualidade e volúpia num sentido quase literário (hahahahaha, né). Não necessariamente parte de uma insatisfação, mas de uma ousadia aguda, emocionada, só disponível nas melhores cabeças do ramo (q?). Além de imaginação e criatividade entra em jogo um elemento chave quando o objetivo é uma noite “inesquecível” a dois (ou três ou quatro ou...): uma visitinha a um sexshop. Foi onde fui com o Victor Machão ontem, plena 9h da madrugada. Sou o amigo do século.
Nos barraram na porta alguns minutos, pediram nossa carteira de identidade e tudo. “Sério? Tou bem assim?”. Eu teria ficado mais feliz se as pessoas que estavam passando na rua não tivessem nos encarado como doentes. Geral pensa que eu tenho um relacionamento proibido com o Machão. Até trabalhamos a idéia: “homoafetividade sem intercursos”, bromance, happy rock S2. Não avançamos no debate. Fica aí o mistério. Em todo caso, nossa visita ao ‘templo do prazer em mercadorias estranhas’ foi, sobretudo, edificante. Demos um F5 nas fantasias: géis, adereços, roupas, perfumes e sensações térmicas. Só achei nada a ver a gente ter comprado velas aromáticas em uma casa de umbanda.
Dignidade, quem curte?
*Justice Vs Simian - We are your friends, um hino
Ontem, nessa festa comportada, reencontrei a Natasha. Ela nasceu biologicamente homem, daí um dia acordou numa banheira de gelo, operada. A parte boa é que ele não precisa mais fazer o “truque”. Resignificação de gênero, total apoio. Mesmo com uma pessoa desse tipo no ambiente, a coisa não se encaminhou para o deboche coletivo. Pensei em fazer minha parte, usando aquele combo mágico = vexame+desmaio+Aretuza. Quem nunca? Sou mais jovem que muito calouro.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Em nome da rosa
Estou cobrindo uma série de eventos organizado por um órgão ligado à Defesa dos Direitos da Mulheres. Sabe, aqueles 16 dias de Ativismo, campanha global. Hoje foi a ação Mulher no Esporte, envolvendo jogos e competições. Começou com os times de vôlei e futebol femininos, Tranqüilo, bola vai bola vem e nenhuma vez fui o alvo. Então ouço os gritos do fim do mundo. na quadra ao lado. Rio de Janeiro feelings. Tava rolando uma senhora pancadaria entre as competidoras de kung-fu. Gente, juro, aquilo era pessoal, mágoa reincarnada. Dia Internacional de não Violência contra a Mulher FAIL.
Lá, conversando com a arquibancada, conheci a Dona Fátima. O nome dela é Maria Sousa Silva. Eu perguntei, ahm, “oxente, que história é essa?!”. Ela não sabia explicar a história dos nomes, portanto, quem era realmente. Olhei sério nos olhos dela, depois para o horizonte. Refleti profundamente. Pensei em abraçá-la e recitar Albert Camus, dizer que sim, eu também sabia o que era aquilo, existir e ao mesmo tempo não ser ninguém, um estrangeiro de lugar algum. Quando movi os braços na direção dela, fizeram um gol. Ela vibrou tanto que eu me aquietei, meio frustrado
Dou nome às roupas. Algumas merecem um. Gosto muito da Blindagem, minha camisa de assaltos mal sucedidos. Tipo hoje: fui de calça branca. Às vezes esqueço onde trabalho. Quando percebi era tarde demais – tinha uma mancha barrenta e lovecraftiana que pegava uma perna inteira do jeans. A batizei de Timeline.


