quarta-feira, 29 de junho de 2011

Quarta sem absurdos

Fazia muito tempo que eu não via a Motorista da Rodada. Ela veio me fazer uma visita depois da aula. Eu tava com um monte de coisa engasgada e precisava verbalizar. Parece milagre, mas ela prefiriu ficar aqui em casa. Não me levou pra fazer nada inconvencional, hilário ou ilicito. Ficamos deitados na cama em posição fetal, conversamos no meu quarto, feito um casal de velhinhos - sem sexo. Daí ela foi embora, fiquei com meus pensamentos ociosos e meu enorme tédio de férias. Dei comida e água pra Veiga(animal de estimação). Tranquei as portas de casa, voltei pro quarto e liguei pra Visa desboquear o cartão de crédito que chegou hoje - e será responsável por futuras postagens de puro ódio. Mas atualmente meu saldo é positivo, afinal tenho cá boa companhia e, haha, planos.

domingo, 26 de junho de 2011

Readaptação

Vou colocar dois pontos aqui. 1) Tou de férias e quero estar em aula. 2) Quando estava em aula, queria estar de férias. E olha a vida limitada da pessoa que vive entre esses dois pólos e não se decide. Acho drama. Daí que uma colega tá em outro país. "Novo lugar, novas pessoas", enfim, sexo, dorgas, bebida e intercambio cultural. Está feliz por não ter sido barrada, o que já é muita coisa. Sabe a sensação quando você vai pra onde onde ninguém te conhece, que você pode então ser qualquer um. Eu sei, é o serviço secreto do capeta que quer que a gente faça isso e aquilo, faça coisas que nunca faríamos, haha, mas ir pra algum lugar e permanecer o mesmo é perca de tempo. Não tou bêbado, só pra constar.

Seleções Reader's Digest

Há muito tempo meu pai costumava assinar Reader's Digest. Eu, 8-10 anos, lia duas coisas: "rir é o melhor remédio" e "flagrantes da vida real". De alguma forma isso deve ter acabado por influenciar minha personalidade. Era uma revista americana e quase todo conteúdo era traduzido. Hoje nacionalizou algumas editorias, mas manteve o mesmíssimo baixo nível. Ainda bem. Adoro o tom clássico, a variedade e a quantidade de bobagens. É Oprah Winfrey, é Super Pop e Domingão do Faustão em forma de revista.

Estava no centro acadêmico de Jornalismo da UFPI (Cacos) e lá tem muita tralha e velharia. Achei uma Reader's de agosto de 2009 - assim como vinho, quanto mais velha melhor. O tema da edição era Humor, mas a história da página 68 prendeu minha atenção: um cara, Charlie Hench, às raias de completar 50 anos, ex-jogador de Rugby, tava se sentindo velho, tinha problemas com a namorada ( ela tinha "uma carência enorme que eu não conseguia satisfazer" haha ♥) e pá, sensato que era, decidiu partir em uma aventura: uma trilha de 5 dias pela Sierra Nevada.

Resumindo o óbvio. Ele vai nessa jornada deliciosa e enfia o pé na jaca. Enfrenta uma tempestade de neve, se perde, quebra o pulso, passa dias à deriva e finalmente é encontrado pelos amigos, final feliz e tal. O que me deu uma dose sinistra de empatia era o Charlie admitindo em seu diário de bordo: "Caminhada solitária pela Sierra. Seu idiota!", "Quero que este pesadelo acabe" ou "Foi tolice tentar fazer isso sozinho". Eu lia isso, olhava pro horizonte e concordava. Você é um loser, Charlie, você é burro, e eu te entendo.

O final da história, rola fazer quote, porque é a moral, é, haha, uma palavra de auto estima:
Talvez, pensa hoje, correr com os touros ou caminhar sozinho pelas montanhas não seja o melhor método de um homem encontrar a si mesmo. Talvez perder-se nas nuvens não seja o único meio de sonhar. Talvez a maneira de um homem se encontrar seja no aconchego do lar, cercado pelas pessoas que ama.
E ela inteira você pode conferir clicando aqui.

Cores e organização



Organizar as coisas pode ser clasifficado como TOC, mas no Things Organized Neatly é inspiração.


Já no Color Collective o que rola é uma aula de photoshop. É um ótimo exercício de composição.

X-Man First Class ou Porque da próxima vez escolherei o dvd pirata

Fazia tempo que nao ia ao cinema sozinho. Nada grave, sem mimimi. Daí Vi X-Man First Class. Primeiro, o filme tem toda uma vibe "Begin". Segundo, não tenho problema nenhum com filmes adaptados, contanto que a história continue coerente, podendo inclusive tomar um rumo novo. Acho ok. E terceiro, é entretenimento. Ação, aventura, explosões, super poderes e efeitos especiais, ou seja, é pra deixar o espirito sessão da tarde vir à tona. É valido até se empolgar, apontar pra tela e gritar "Ali, oh, cuidado! Atrás de você!". Um dia eu vou conseguir sair em público e não passar vergonha.

Sitcom


Às vezes eu acho que essa não é a vida real. Rola um script, um roteiro. Penso ouvir ao longe o som de palmas e gargalhadas. Procuro a platéia, mas é em vão. Queria saber em que canal passa, juro. Porque quem se fode na história, oi, sou eu. Uma pena que não tem nenhum merchan - nem ao menos uma ajuda de custo, um ticket alimentação. Olha, é difícil acreditar que é tudo improviso, espontâneo, que é o fluxo natural. Não posso, não tenho condições. Onde é a saída desse Teatro?

E a gente corre na BR 3


Um dia eu vou encontrar o fundo, porque até agora tem sido possível cavar cada vez mais pra baixo. Quase uma queda livre. Então um dia, tal qual o Vincent, ou o Tyler Durden ( não o Brad, mas o Edward "Jack"), irei mastigar - com muita voracidade - o barro do fundo do poço. Porque Chuck Palahniuk já descreveu essa rota e eu escolho acreditar que é possível. Espero estar ao menos na metade do caminho.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Boletim de Ocorrência

Do ponto de ônibus pra casa, voltando do centro. Cabeça baixa, óculos escuros e fones de ouvido (Air-Love). Passo apertado pra fugir do sol da 13h, horário místico em que Teresina vira uma sauna recreativa do inferno. No caminho ultrapasso uma senhora de guarda-chuva. Ela freou. Com ABS. Me olhou torto, assustada. Olhei de volta e sorri, ela me devolveu outro, aliviada. Minha arma: uma Revista Piauí. Inétido caso de assalto literário.

Diversão Antropológica: Arraial da Passassão

São Domingos, junho de 2011. Terra batida, barraquinhas de batata frita e cachaça, grupos de quadrilha vestidos com pompa e muito bem ensaiados. Essa foi a Diversão Antropológica que eu mais gostei até agora. Estava muito bem acompanhado e a festa tinha um significado de muito apelo pra cultura da cidade, que se envolveu de verdade. E eu que nem bebo, dancei até forró.

[imagens redimensionadas porque o blogger nao deixou carregar em alta resolução]


Rainha Caipira hypada. Achei contemporâneo

Cheios de detalhes.

Grande Roda =D

Verão do Flash Back

Sou meio distante dos meus parentes, física, afetivamente ou os dois, com poucas exceções. Esse fim de semana fui com minha mãe pra São Domingos, 300 e poucos quilômetros daqui, visitar nossa família. Eu costumava passar minhas férias inteiras lá – e de uma forma muito intensa, porque eu era o cão, haha. Fazia oito anos que eu não ia, ou seja, o choque já estava garantido.

A cidade é pequena e bem simples, com cerca de três motos pra cada habitante. Uma coisa que mudou mais que tudo é a perspectiva. Tudo pareceu menor do que eu lembrava. Como eu só passei um dia, tinha que visitar o maior número de pessoas por minuto. Então começa a cair a ficha: os priminhos de colo hoje estão enormes e os meus antigos amigos todos casados. É o ritmo deles. É como as coisas fluem por lá.

Mas nada me preparou pro reencontro com o Jone, meu primo com quem eu passava o dia todo andando de bicicleta e freqüentemente ficando cara a cara com a morte. Ele cresceu 2/3 a mais que eu e, lógico, casou. Difícil mesmo é traduzir a nossa i-m-e-n-s-a felicidade, quase uma década depois, em ainda sentirmos tanto carinho um pelo outro. Eu só esqueci mesmo de pedir desculpa por não ter voltado antes, porque na real, me arrependo. Mas eu vou, sabe, daqui uns meses, me comprometi. Acompanhar, fazer parte. Ser padrinho dos filhos do Jone. Eu tinha esquecido que sou capaz de tanto amor gratuito.