No jornalismo nada é novidade. Tudo é esperado. A polêmica, o escândalo o casal de celebridades. Pra ter rotina produtiva é preciso haver uma repetição, um padrão. Pra ser considerado ciência então, muito mais. Mesmo as coisas mais surpreendentes, as super descobertas: mais do mesmo só que com mais acentos de exclamação. Pouco me espanto quando matam pessoas antes da hora, ou transformam pautas históricas em pastelão. É da natureza do jornalismo redimensionar, compactar e entregar de porta em porta, o conteúdo zipado – talvez incluindo PowerPoint com molduras e música de fundo. Reverberando Amanda: vocês colocam um jornalista com cinco pautas em uma redação lotadíssima por três turnos e querem que ele salve o Brasil? É esse o redentor do país? Não há condições, ele não pode.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
A vida como ela é feat. Gira Livre
Pra contrariar o post anterior vou falar de uma coisa que aconteceu ontem. Bagulho muito, muito tenso, de dar nó no estômago e tremer as cambitas. Olha, eu entendo que amigo faz muita coisa pelo outro, mas eu fico pensando na linha entre ser companheiro e co-réu. Porque ser cúmplice de um crime é uma realidade que ta aí, fácil de ver. Sem exagero não foi bem isso que aconteceu comigo. É que Nelson Rodrigues coloca alguns personagens no roteiro da minha sitcom (vida), daí rola um improviso em live stream.
Seguinte, sou contra foder a vida dos outros, essa coisa do núcleo malvado de Malhação. Mas ó: quando falo em amizade me refiro a capacidade de ser flexível e talvez um pouco irracional, apoiando até decisões que você não tomaria caso estivesse na mesma situação. Foi esse o caso. Dizer “é isso mesmo que você quer? então beleza, i’ll support you” é fácil, quero ver agüentar a tempestade. Estar presente quando a poeira ainda estiver alta, neblinando a paisagem. Em tempos de relações afetivas contratuais é bom ter alguém que não cobre hora extra.
Seguinte, sou contra foder a vida dos outros, essa coisa do núcleo malvado de Malhação. Mas ó: quando falo em amizade me refiro a capacidade de ser flexível e talvez um pouco irracional, apoiando até decisões que você não tomaria caso estivesse na mesma situação. Foi esse o caso. Dizer “é isso mesmo que você quer? então beleza, i’ll support you” é fácil, quero ver agüentar a tempestade. Estar presente quando a poeira ainda estiver alta, neblinando a paisagem. Em tempos de relações afetivas contratuais é bom ter alguém que não cobre hora extra.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Bitch please
Teve um trabalho em grupo, essa parte do período que rolam os seminários, só que faltei no dia em que foram feitos os grupos. No dia seguinte a professora informa que eu fiquei no grupo dos faltosos porque, atenção para o quote:
"-Você não tem amigos".
Achei muito tenso, mas relevante. Sem mais no momento.
domingo, 8 de maio de 2011
The Booth at the End
O FX tá aí com essa minissérie online. Piada. Mas, né, a cultura livre ainda é crime. Olha, não baixar suas séries favoritas é comparado a locar fitas cassetes (e rebobinar antes de devolver, att. à direção). Resolvi conferir o primeiro episódio, sem ler nada previamente, e sacar de qual é.
A trama de The Booth at the End se passa numa cafeteria americana. Um senhor onipotente fica lá de bobeira. A pessoa chega, diz uma senha super calórica e, ok, ele fará o que ela quiser desde que sejam cumpridas tarefas específicas. Ou seja, rola um monte de pessoas desesperadas e moralmente flexíveis. Reflitam:
- James - quer salvar a vida do filho. Pra isso vai ter que afazer alguma coisa estranha com outra criança. Quer deixar as coisas tensas e brincar com o proibido? Ui, provocante, né Manoel Carlos?
- Jeenny - deseja ser mais bonita, logo, ele a manda roubar um banco. Bom, se eu tivesse como roubar um bando eu não iria atrás de ninguém pra pedir ajuda.
- Willam - tá afim de uma mulher. Pra isso vai ter que proteger, ser um anjo da guarda, de uma garotinha por 10 semanas. Opa, mais crianças. Gente.
- Sra. Tyler - velhinha transtornada que já está cumprindo uma das missões estranhas. Parece que ela quer alguém de volta pra casa, um filho ou um marido.
- Melody - precisa de dinheiro pra deixar o pai dela feliz. =D =D =D =D. Então vai ter de encontrar "o homem que não sai de casa" e fazê-lo sair e se sentir seguro fora dela. Esse eanigma veio direto de Caverna do Dragão.
- Allen - chega trollando e diz q já fez a tarefa, mas, oh oh, rolou algum acidente de percurso: tirou um cara da prisão, mas não o matou. Queria grana, mas fez as coisas pela metade - nada feito.
Esse foi o primeiro capítulo, onde foram apresentados alguns personagens e o que está em jogo na vida deles. Mais alguns episódios já estão disponíveis. Além da preguiça de ver mais um, a minissérie não me convenceu at all. De qualquer forma, vou tentar acompanhar.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Glee Cast
Hoje fui ver a Motorista da Rodada e o Ted Bear em seus ambientes de trabalho. Na volta comprei umas besteiras e resolvi lanchar no Chinês, esse império alimentício em ascensão. Pedi um salgado, mas percebi que ele estava muito oleoso. Mordisquei e meu coração ameaçou parar. Certo desisti. Então notei que uns pastéis estavam saindo do forno. OPA, OBRIGADO DEUS! Vou no balcão, peço o pastel e quando estou perto da minha mesa caio na armadilha do chão escorregadio. Voa a comida para um lado e minha bacia para outro.
Tem coisa mais patética do que cair em público?
Mesmo fazendo uma cara de agonia pior que a do Papa João Paulo II sofrendo espasmos de dor na sacada, ninguém me ajudou. Exatameante: por quê?! Tomo dois goles do suco, olho pro horizonte, respiro fundo e vou pra casa. A quatro quarteirões resolvem abrir as compotas de Algodões I na minha vida. Estou em casa, in-vá-li-do, todo molhado e segurando o choro. Não precisa dizer duas vezes. Se é drama que eles querem eu tenho um estoque ilimitado.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Eu saí de uma prova ruim. Desisti de fazer as questões, levantei , olhei pro professor e suspirei. Era o sinal pra ele me abraçar e dar tapinhas nas costas. Sem efeito. Em casa eu esperava encontrar o jantar ainda morno. Ledo engano. Aproveitei a vibe Maria Mercedez e fui organizar as compras do supermercado. Terapia Laboral.
Por sorte encontrei com a Motorista da Rodada. Ela estava muito lúcida, lógico. Veio em socorro, trazendo alguns amigos da UESPI. Como não tinha mais nada na praça de alimentação, apelamos para a padaria. Levamos o mundo em gordura trans e, RÁ, Coca Zero. Yin-Yang. Por sorte o Léo tava com a gente e, certeza, comeu bem mais do que o corpo dele foi projetado para. Assim caminha a humanidade: cultivando a barriga pra empurrar a vida.
Por sorte encontrei com a Motorista da Rodada. Ela estava muito lúcida, lógico. Veio em socorro, trazendo alguns amigos da UESPI. Como não tinha mais nada na praça de alimentação, apelamos para a padaria. Levamos o mundo em gordura trans e, RÁ, Coca Zero. Yin-Yang. Por sorte o Léo tava com a gente e, certeza, comeu bem mais do que o corpo dele foi projetado para. Assim caminha a humanidade: cultivando a barriga pra empurrar a vida.
Cobaia Myself
Daí que minha barba tá enorme, mais ou menos uns 15 dias de comprimento. É um tamanho radical, pela média dos últimos anos. Ter barba é uma coisa muito máscula pra se dizer. É a voz da testosterona. Não tenho uma relação polarizada, acho um acessório, uma moldura opcional. Acontece que ela tá aqui, grande, aleatoriamente ruiva e esteticamente confusa. Minha motivação é não ser reconhecido na rua, principalmente por parentes e ex-professores do ginásio.
terça-feira, 3 de maio de 2011
“I would prefer not to”
Antes achava que minha preguiça era sobrenatural, mas hoje sei qual é o meu problema. Cinco anos atrás, quando descobri não o neguei, pelo contrário, aceitei de pronto. Me traduziu, me colocou no colo e desde então me dá beijos de boa noite. A história original é a de um escrituário que, pouco a pouco, se nega a executar suas tarefas - de início simples renuncias, até chegar ao nível de não fazer mais absolutamente coisa alguma. Estritamente nada. Então se torna, finalmente, uma nulidade. Eu cheguei a pensar que se tratava de uma catarse, mas a epifania não veio. A Síndrome de Bartleby é isto: uma incapacidade quase mórbida de colocar sentido nas coisas e, consequentemente, agir.
Hermam Melville - Bartleby, o Escrituário que você pode baixare se desesperar depois aqui. Googlei o assunto e achei esse post da Juliana. É a história de toda uma geração.
Chegou a manhã seguinte.
- Bartleby - falei, chamando-o gentilmente por trás de seu biombo.
Sem resposta.
- Bartleby - falei de modo ainda mais gentil -, venha aqui. Não vou pedir-lhe que faça qualquer coisa que você prefira não fazer. Apenas desejo falar-lhe.
Com isso, ele surgiu silenciosamente diante de mim.
- Você pode dizer-me, Bartleby, onde nasceu’?
- Prefiro não dizer.
- Você me contaria alguma coisa sobre a sua vida?
- Prefiro não contar.
- Mas qual objeção razoável você pode ter quanto a falar comigo? Bartleby, eu me considero seu amigo.
Não olhou para mim enquanto eu falava, mas manteve o olhar fixo no busto de Cícero, que, do modo como me encontrava sentado, estava exatamente atrás de mim, cerca de quinze centímetros acima de minha cabeça.
- Qual é a sua resposta, Bartleby? - perguntei, depois de esperar um tempo considerável por uma manifestação de sua parte, durante o qual sua fisionomia manteve-se imóvel, a não ser por um levíssimo tremor de sua boca pálida.
- No momento, prefiro não responder - falou, retirando-se em seguida para seu canto.
Hermam Melville - Bartleby, o Escrituário que você pode baixar
Assinar:
Postagens (Atom)

