quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Espinha dorsal

Tenho uma coluna e a amo. No ambiente doméstico, naturalmente, sento de um jeito meio livre, indomável. A questão se tornou preocupante a partir do momento que comecei a trabalhar em casa, e não simplesmente trazer o trabalho pra cá. Descrevendo uma curva sinceramente tensa, minhas costas mais parecem uma intervenção geográfica, fruto do movimento das placas tectônicas.

Me preocupo, repito, e adiciono uma complicação genética - minha avó, minha avozinha, parece uma tartaruguinha, andando devagar e côncava. Como resultado de toda essa tragédia física, estou me policiando com a postura. Tarefa inglória. Questão de prática, bem sei. Em anos de sala de aula, por exemplo, sempre escorreguei um pouco pra frente até alcançar o fundo da outra carteira com os pés. Um hábito irritante, principalmente em dias de prova, quando só entendia a comoção do colega da frente ao ouvir "para de balançar, maldito".

RPG, Pilates, Aikido. Aceito sugestões, mas estou quase convencido a só comprar uma cadeira nova, tipo oficce. A grande vantagem é poder brincar de rodar no fim do expediente, ou ir até a cozinha só pegando impulsos e arrastando as rodinhas. Infância - estou fazendo isso errado.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Volto porque ainda sei o caminho

Nem sei, perdi o ritmo. Deveria ter atualizado semana passada, quando tive uma Diversão Antropológica sensacional (que espero ter espírito pra escrever), mas fui atingido por uma vibe errada e agora estou em rota de colisão. Troço tenso. Minha monografia vai mal, admito, pouco foi escrito. Penso em apelar para drogas estimulantes, mas eu até me imagino hiperativo, correndo pelado pela casa e parando pra conversar as manchas no teto. Com minha sorte, efeitos colaterais serão tudo que conseguirei.

Daqui exatamente um mês parto pro Rio. Falei isso pro meu chefe ontem, que não sabia até então. Eu disse "serão 10 dias, legal né, qtau?" e recebi um olhar confuso, incrédulo e ainda sim amistoso. Senti na ponta da língua o doce sabor do desemprego. Ah sim, vou pra lá ver Coldplay, a trilha sonora da minha adolescência loser - que insiste em se prolongar. Vale a aventura, porque não quero passar a vida toda indo em covers ou tributos sofríveis, nem ir num show deles quando todos os integrantes estiverem a cara do Iggy Pop. Não mesmo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Comeback

É uma situação particular. Você volta pra casa depois de um tempo. Os desenhos na parede do seu quarto. Todos continuam lá. Sua mãe ainda dá bons conselhos. Seu pai esquece a barba crescida. O porão não te assusta mais. Você já é grande demais pra se esconder no armário. Seus antigos vizinhos se mudaram, mas as assinaturas que deixaram na àrvore do jardim permanecem. Então, no fim da tarde - com uma estranha sensação de ouvir os gritos das brincadeiras lá fora - você imagina como tudo era naquela época e finalmente se dá conta que perdeu o modo que costumava sentir as coisas. E nesse ritmo, essa amnésia quase injusta sempre vence a corrida.

Provavelmente alguém restou, deixado pra trás. O nome dele é Abílio. Uma cena constrangedora. Seus olhares se cruzam no supermercado. Ele engordou mais do que todos os outros garotos - e garotas - juntos. Atualmente trabalha numa loja de artigos de artilharia - é o que diz na logomarca da farda. Ele pode achar que a barba acobertou sua identidade, mas passar mais de 30 segundos olhando arrebataria qualquer disfarce. O plano B dele é encarar nervosamente as prateleiras de chocolates e esperar que você passe direto. É o que você faz, mas no fundo sabe que não foi a coisa certa.

*
Postado por mim originalmente no Volúpias Celestiais que esbarrei hoje.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Crise dos 20 - Cartilha de auto ajuda

Que meus tios não me vejam por aí - eles perguntarão o que eu fiz com meu ‘talento’. Esperam algo brilhante, imagino. Decepciono na medida em que troquei minha, opa, virtuose, por horas desperdiçadas em redes sociais e pornografia. Que não perguntem minhas expectativas, quando nos esbarrarmos no shopping, ou no supermercado. Troquei um futuro salário de 5 digítos por dívidas atuais de apenas 3 – calculei mal, uma vez que fiz escolhas um tanto equivocadas.

Em Anos Incríveis, seriado com todo um clima do sonho americano da década de 70, no episódio Coda, o protagonista, Kevin Arnold (vivido pelo ostracizado Fred Savage) , no auge da infância, anunciava:
"Quando somos criancas, somos um pouco de cada coisa: artista, cientista, atleta, erudito. Às vezes parece que crescer é desistir destas coisas, uma a uma. Todos nos arrependemos por coisas das quais desistimos. Algo de que sentimos falta, de que desistimos por sermos muito preguiçosos, ou por não conseguirmos nos sobressair, ou por termos medo.

Gostaria de discordar, mas, percebam, não tenho fatos que provem o contrário.

O meu erro é ter feito tudo de lápis pra depois passar a limpo. A crise dos 20 não envolve realização, de cara, mas exige que esteja desenhado um caminho, que rotas estejam traçadas. Urge coordenadas. Se trata de um senso de direção e um senso de urgência. Ambos dão margem para uma perspectiva sombria onde tudo dá errado, o carro capota duas vezes, lança todo mundo no penhasco e ainda explode. Quem tem planos tem medo.

Como mais de 1/3 dos brasileiros tive uma formação cristã, da qual assim que tive chance me afastei – pra preservar meu senso de humor. Entretanto, uma coisa ainda me passa na cabeça com frequencia, justamente a parte de que todo sofrimento é recompensado, mais dia menos dia e portanto deve ser valorizado, inclusive, visto como necessário. Sem o referencial sacro, essa é a mesma metáfora da megasena (“um dia o ganhador pode ser você, continue apostando”).

Quando você não tem fé no divino, é imperativo que tenha fé em si mesmo(em carne, osso e resfriados). E assim como a primeira, ela também falha, oscila, ainda mais quando somos tão limitados e imperfeitos. É também uma questão de esperança e sobretudo de resistência. Afinal, quem não quer vencer a prova do lider?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

BitterSweet

Semana passada a agência precisou de umas fotos para o site de um hotel porque novos itens estavam entrando no menu do American Bar. Resolvi praticar alguns princípios, então, não bebi em serviço. Certo, confesso, provei um drink sem álcool de maçã verde que estava ótimo =]. Abaixo, uma pequena amostra:

Fica a dica pra quem quiser me pagar uma bebida.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pauta quente

Tem um lado do jornalismo que, convenhamos, é muito interessante: lidar com situações e pessoas incomuns. E o fato de coisas surpreendentes serem cada vez mais raras eleva tudo a outro nível, onde nem sempre a racionalidade está presente. Entretanto, os assuntos em questão se enquadram num número nem tão grande de temas, entre os quais um se destaca mais que os outros, em letras flamejando: s-e-x-o. Daí que estou tendo experiência de produzir algumas matérias para, for real, um motel – ossos do ofício.

A primeira matéria que fiz (na verdade uma entrevista) com a personal.sex.trainer Tarciana Chuvas. Além disso, ela é sex coach, striptóloga e consultora em artes sensuais. Teresina evoluiu e eu não acompanhei? Do tipo, ok, mas aqui? Achei do futuro. Cabe o alerta: muito se engana quem espera baixaria.

Na entrevista, ela começou educada, polida, ciente de que alguns vêm cheios de dedos e armados até os dentes de preconceito. Um pouco mais a vontade, ela mostrou um ar descontraído (extremamente útil nas abordagens que exercita, acredito) e conversou com leveza e preparo, dedilhando aqui e ali algo mais provocante. O trabalho dela você pode entender [aqui], [aqui] e em uma visita ao blog totalmente autoral. E a entrevista você pode conferir no site do Garden (desconsiderem a diagramação equivocada que o wordpress dá aos conteúdos).

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Nota de Tradução I

"O único lugar no qual sucesso vem antes de trabalho" hahahaha

Quando (muito raramente) entro no 4chan, às vezes preciso de ajuda pra acompanhar o vocabulário. Daí o Urban Dictionary serve bem ao propósito, explicando as gírias, xingamentos e abreviações - um passaporte para o gueto. Lembrei de um post, não lembro o link infelizmente, que falava sobre o que as coisas significavam pra gente. Ele usava o termo “amor” como referência maior. Para ele existiam vários tipos de amor: entre amigos, entre amantes, entre familiares, enfim. No fim sugeria que cada um criasse suas próprias descrições e usos desses verbetes, uma vez que existem pessoas que falam “eu te amo”, mas querem dizer “bom dia”. Com essa inspiração, crio aqui essa sessão semântica: "Nota de Tradução". Vamos começar com dois termos:


1 -“Prazo: sangria desatada”. Meio dia, você se prepara pro horário de almoço e seu chefe chega no Gtalk, explica o que deve ser feito e finaliza a frase com essa expressão, quando fala da urgência necessária. Ou seja, não vai rolar aquele slow food seguido de uma deliciosa cesta.

2 -“Trilha sonora do purgatório”. Você vai numa festa (no meu caso uma teenage party) e aproveita que ninguém ta olhando e põe suas músicas pra tocar. Percebe que o astral cai vertiginosamente e com uma cara super desengonçada, desconecta o mpx. Chega uma pessoa, olha nos seus olhos e fala: “Sabe aquele filme que passa quando a gente está perto de morrer, acabei de ter essa experiência. Todas as coisas ruins passaram na minha mente, da esquerda pra direita. E essa era a trilha sonora”.


Provavelmente essas notas não estão dentro do novo acordo ortográfico. =/

*

Ps.: encontrei o post, é do Pró Tensão! =)