quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Espinha dorsal

Tenho uma coluna e a amo. No ambiente doméstico, naturalmente, sento de um jeito meio livre, indomável. A questão se tornou preocupante a partir do momento que comecei a trabalhar em casa, e não simplesmente trazer o trabalho pra cá. Descrevendo uma curva sinceramente tensa, minhas costas mais parecem uma intervenção geográfica, fruto do movimento das placas tectônicas.

Me preocupo, repito, e adiciono uma complicação genética - minha avó, minha avozinha, parece uma tartaruguinha, andando devagar e côncava. Como resultado de toda essa tragédia física, estou me policiando com a postura. Tarefa inglória. Questão de prática, bem sei. Em anos de sala de aula, por exemplo, sempre escorreguei um pouco pra frente até alcançar o fundo da outra carteira com os pés. Um hábito irritante, principalmente em dias de prova, quando só entendia a comoção do colega da frente ao ouvir "para de balançar, maldito".

RPG, Pilates, Aikido. Aceito sugestões, mas estou quase convencido a só comprar uma cadeira nova, tipo oficce. A grande vantagem é poder brincar de rodar no fim do expediente, ou ir até a cozinha só pegando impulsos e arrastando as rodinhas. Infância - estou fazendo isso errado.

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