

Eu trabalho perto da casa onde passei alguns momentos mais peraltas da minha infância. A casa dos meus avós. Não, não fui criado por eles, bem sei o que dizem por aí.rs. Anyway, os velhinhos tem quase 100 anos e fazia uma eternidade que não ia lá e nem tinha isso na agenda. Motivo número 1) distanciamento natural, 2) falta de apego e 3) minha vózinha nem lembra mais quem eu sou. Alzheimer - o escroto – então tanto faz que ela me veja ou não. Praticidade sem encantos, estou nessa.De qualquer forma, minha mãe foi me buscar no trabalho e resolveu dar um pulinho lá. Entrei e a vó tava indo do quarto pra sala, o vô tava pro sítio. Lógico que ela nem esboçou reação. Poxa cara, a idade faz coisas estranhas com as pessoas do tipo entortá-las. Os vetores da coluna da minha vó estão todos de greve com as leis da física. Me aproximei, dei bênção (bleh). Momentão nostalgia:
“Oi vó, eu sei que a senhora nem lembra de mim, seu (cof cof) neto favorito. Mas olha como eu cresci, antes eu dava no seu ombro, se a senhora puder lembrar. Hoje eu tou altão, né. Tenho ate barba, ó” - levei a mãozinha dela até meu super queixo com a barba crescida de dois dias – ao que ela responde com algumas gargalhadas. Acho que gente que ainda consegue rir (e não rir sem parar, riso idiotizado) tem um fundo de lucidez.
Tocante hein? Rá.
Deixei ela na sala e fui ver o quintal, porque antes eu brincava muito no quintal de lá, achava imenso. Surpresa. Diminuiu. Não, eu que me tornei a porra de um gigante, claro. Fui até o pé de goiaba, coisa old mais divertida ever. Antes eu costumava subir atééééé o “ôin”, como a gente fala por aqui. Maravilha, o pé pareceu mínimo perto do que eu lembrava. Que merda, acabou com minhas memórias saudosas.
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