quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Meu mundo caiu

Darth Vader programou minha agenda

O primeiro pensamento que tive quando acordei foi “Ôpa, tâmo aê!”. Viver é um susto. Até agora, o meu dia foi muito intenso. Sofri feito uma piñata. De tão relevante quero dividir com o mundo, no calor do sentimento, sem filtrar. Sessão do descarrego total.

Bem cedo tive que ir ao banco. Poxa, ir ao banco é sinal que não deu pra resolver pela internet. Filas, filas, gente resmungando mandando andar porque “ei! ó!”, aí apontam pra frente. Ódio. Por um momento pensei que o marceneiro não merecia o desgaste, mas ele fez um trabalho tão legal. Estantes, porta e janelas. Um acabamento artesanal lindo, e tudo. O cara não merecia ouvir um “passa amanhã”, né.

Cheguei no trabalho com minha camisa executivo wanna be - branca com listra verdes - que me dá um ar de jovem empreendedor. Se alguém pensar isso quando me vir, rs, sério, rs. Não sei se já disse que trabalho com jornalismo, assessoria e tal. É o caso.

E começam meus problemas de verdade. Mal chego e vou direto pra um hospital. Oi? Super Bactéria é um nome que também assusta vocês? Beleza, se me pagam por. O que não me dá necessariamente super coragem. Respirando em momentos estratégicos, andei pelos corredores falando com os médicos, pacientes, enfermeiros e pessoal do setor burocrático. Ainda não morri, então estou feliz.

Volto pra redação, escrevo tudo, enfim. Me concentro em outra pauta, emperrada a uma semana. O moço ficou de me ligar, ficou de aparecer. E eu, chato até o âmago, ligando, pedindo satisfação. Quando ele atendeu hoje, ouvi uns tambores. Provavelmente ele estava dando meu nome para um umbandista pôr em uma vela vermelha. Ele que pense que eu não vou fazer um trabalho aos orixás – em água corrente, mais certeiro.

Hora do almoço. Puta dia infeliz. Fui almoçar sozinho porque minha chefe (me odeia. grita coisas como: “você-não-produz-nada-é-um-incompente-acho-que-é-pedir-demais-pra-você-vou-é-te-demitir-meu-deus-do-céu”) recebe almoço vip, na sala. Eu não - exponho ao mundo que não sei segurar talheres. Melhor assim, pude chorar em segredo.

UP: Francamente, não mereço. Trabalhei até 20h. Não é justo, simplesmente. Aí que na faculdade eu tomo consciência do atraso que tá minha vida. Chego em casa, sento no chão da sala mesmo. Bate aquela vibe fraqueza, aquela onda negativa, pesada. Zica. Reflito se essa é a vida que DEUS, MEU DEUS traçou pra mim. Poxa que sorte, rs, ligo a TV e tá passando um programa chamado Calor da Noite. Uma pena que os apresentadores são tão quentes quanto um saco de Gelo Pingüim. Só o que me faltava, sentir vergonha alheia. Não quero apatia nenhuma, quero beber. Beber muito e dar um vexame, beijos.

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