sábado, 23 de outubro de 2010

Os Outros - do lado de lá

Um colega fez uma matéria sobre a atuação da Suzano Papel e Celulose no Piauí, sua mais recente investida. Conseguiu as páginas centrais do jornal que trabalha e de quebra ainda foi parar no site da Caros Amigo, essa publicação icônica. São informações bem válidas, não apenas emoção gauche. Daí que ele agora é perseguido, tipo, ditadura feelings (brinks). É um sinal de sucesso? Estávamos tentando descobrir numa mesa de bar.

Já cheguei a imaginar que essa galera toda que esbraveja por ter sobrevivido aos anos de chumbo, ter sido presa, torturada, e o que mais os livros descrevem, o fazia por mera ânsia de reconhecimento, honra, algo como ‘me chupem’. Viu como eu era (?) infantil. Uma coisa é quando o Estado fica silencioso, armando suas tretas, outra é ele ir pra cima te encher de porrada. Escancarado. A literatura sociológica e jurídica é extensa no impasse governantes X governados, termos dos quais decorrem outros como dominantes X dominados, controladores X controlados, enfim - Maquiavel, Locke, Hegel, Keynes, Focault, Althusser e uma carrada de galerosos que a gente morre de preguiça de ler. Entender pra quê, né. rs

Acredito no sofrimento das pessoas que lutaram (literalmente) pela garantia de liberdade e direitos, por mais esvaziada de sentido que essa afirmação seja hoje em dia, principalmente se proferida pelo Zé ninguém que aqui escreve. Acontece que a perspectiva história domina a cena, do nipe “Naquela época era possível. Naquele tempo era política de verdade. O sonha estava vivo”. Ainda temos problemas que conseguiram driblar aquelas resistências, domar espíritos nobres e, pasmem, não os vemos como urgentes.

Acho engraçado a exigência da perseguição para alcançar algum reconhecimento. Bom, é sinal que conseguiu chamar a atenção e rá, complicar as coisas. O problema mesmo é disparidade de forças. E como quem tem mais poder detém a verdade, coitadinha, a propaganda e a assessoria sufocam a crítica, relegada a documentos confusos tramitando nos tribunais, indo de recurso em recurso, eternos. Não vejo nada saudável em perceber a “oposição” apenas como um contraponto, desconsiderando suas propostas. “Ah gente, é só como as coisas deveriam ser, mas, oi, mundo real né”. Quando ouço isso, de gente fraca e despreparada, fico imaginando se um dia todos vão desistir. Melhor seguir na crença de que não, não vão.


*Sobre a Suzano: uma amiga geógrafa foi visitar as plantações e cara, disse que bate um desespero. Não se ouve o canto de nenhum pássaro, nenhuma cigarra, nem nada vivo, só o som das folhas naquela imensidão de eucalíptos. Vamos ver se lá vai contecer o mesmo que em Gilbués, ah, tudo com anuência - e incentivo fical pesado - do Governo do Estado (WD).

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