sábado, 30 de julho de 2011

Delivery.com

Estou em um emprego moderadamente fixo. Me reservo ao direito de nem tentar explicar. Faz pouco tempo, sabe. Antes ia pra um escritório dois ônibus de distância. É, ainda não tirei carteira de motorista - decisão que vou adiar pro próximo ano, sem dúvida. A internet lá não era boa e o desgaste se mostrou desnecessário. Que chato: atualmente opero de casa. O dia todo. Misantropia, trabalhamos com.

A decoração não é das melhores, mas a produtividade tem se mostrado satisfatória - um linguajar apropriado para "trabalho descalço, às vezes de samba-canção". De fato não me misturo na multidão, acotovelada no trânsito pela manhã logo cedo, sobrevivendo ao calor e ao sono. Mas vou admitir que a companhia virtual não é meu ideal de relacionamento.

Não sei porquê, essa situação toda me trás à mente um clássico filme marmanjão (O Demolidor - 1993), com Sylvester Stallone e Sandra Bullock. Preconizava um futuro onde, hahaha, preciso mostrar, isso acontece:


Sem.transferência.de.fluidos.

Sem mais.

sábado, 23 de julho de 2011

Happy hour

Ontem, depois de séculos, fui em um barzinho com os amigos. Nem bebo, sabe, mas curto a vibe. Gosto de acompanhar as histórias. Atualizar o RSS social com o Pokes, a Lu, o Teddy Bear e uma galera da pesada que encara altas aventuras. Momentos assim tem prioridade na lista - principalmente agora que comecei em um trabalho novo, depois falo a respeito.

Já hoje, meu ânimo ficou tão próximo de zero quanto possível. Daí a Natasha. Veio me visitar - estava vestida pro pecado, mas ela é de casa, o pessoal não estranha. Aí fomos enchendo a jarra de suco e abrindo os pacotes de biscoito. Uma sessão de gordices. Enchemos nossa tarde da companhia um do outro, era mesmo tudo que tínhamos pra oferecer for #free.

Apontando pro norte

Pensei a respeito e decidi escrever hoje porque isso reforça que tenho uma vida. Própria, inalienável. Tenho medo de estar tanto a serviço das expectativas alheias, de muito fora da minha órbita, que, de repente, perca a prática de ser eu mesmo. De vez em quando uso um colar cujo pingente é uma pequena bússola e me lembro disso. Porque as coisas vão rolando e a gente nem percebe. Nem vou pagar de profundo, uma vez que só sei ver superfícies. Olha, não entendo como as pessoas querem ser interpretadas, se preferem a realidade dura ou uma farsa acolchoada.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Infância: linda fábrica de traumas.

Me veio do nada uma memória bloqueada. Devia ter uns 11. Criávamos, pela primeira vez, uma gata. Ela cresceu e teve filhotes, um casal. Quando chegaram a um mês de vida, começaram a dar um trabalhão, intolerável em uma família desequilibrada. Meu sábio pai um dia pediu pra eu trazer os dois gatinhos em um passeio de carro. Super animado, ia acalmando os bichinhos assustados. Diria que fomos longe o suficiente. Inesperadamente, ele pára e pede pra eu deixar os gatinhos ali, na beira da estrada. Eles “sabem se virar”, ouvi. Horrorizado, desabei a chorar, mas como de costume obedeci. Re-sig-na-do. Cheguei em casa murcho, achando o mundo uma cova rasa. Eu tinha razão.

Montaigne


"Nós buscamos outras realidades porque não sabemos
como desfrutar da nossa; e saímos de dentro de nós mesmos
pelo desejo de saber como é o nosso interior."

Montaigne


O único post sobre Harry Potter desse blog

Calma, Crepúsculo está de braços abertos.

Tava numa reunião de pauta, depois fui ver o Teddy Bear no cinema. Achávamos que a essa altura todos já tinham visto, então não encontraríamos aquela fila da depressão. Relapso, esqueci que as pessoas se envolvem com as coisas valendo, com força, e lá estão elas pedindo bis, bis, bis(...). E elas têm um motivo tão inquestionável dessa vez. Entendo, é o último contato, o fim de um ciclo mágico, o da infância/adolescência e existem cada vez menos coisas que preencham de inspiração, e vou me incluir, nossas vidas miseráveis. A missão é seguir em frente, quem aproveitou ótimo, beijos. Agora é hora de pagar o imposto de renda, renovar a carteira de motorista, quiçá comprar o leite dos rebentos.

Devo admitir que não me enquadro na descrição do fã doidão da série. Talvez sim, de alguma forma, assim dando a mão à palmatória. Não acompanho desde o início, comecei na década de 2000, nem representou meu debut no planeta literatura. Li todos os livros emprestados, sem nunca ter comprado nenhum, chegando inclusive (a partir da Ordem) a me arriscar nos originais, quando ilegalmente online. Já me fantasiei com um grupo de amigos - lembrem: não me julguem - foi super divertido e rendeu uma capa de jornal (ok, suplemento). E não, de longe não é a melhor série de ficção que já li, mas sim, no auge de minha nojenta pretenção, dou os devidos créditos.

Não vi o Relíquias da Morte parte 1. Sinceramente, sou incapaz de lembrar o porquê. Agora tanto faz, quero me redimir baixando alugando essa semana. Fizeram a coisa certa, total percebo. Sabe, vou confessar a interpretação nunca me comoveu. Gostava de acompanhar, como em outras adaptações, o texto ganhando vida. Coerência me basta. Pouco importa se os atores tentam usar apenas a sobrancelha para expressar um sentimento. Chuck Palahniuk ensinou que nada é perfeito quanto a gente imagina que é. Deal with it e deixe a timeline em paz. No mais, Juliana e Patrícia me contemplam.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Organization for dummies

Meu guarda roupa é um caos. Tem gente que organiza roupas por tipo, cor ou ordem alfabética. Não trabalhamos com. Daí achei alguém que me entende. Criou um móvel mais inteligente que eu nesse quesito. Ok, é pra crianças aprenderem o lugar de cada coisa na vida doméstica e dar um descanso na bagunça, mas me pouparia um tempo bonito. Vi aqui.

domingo, 17 de julho de 2011

Cartela Completa

Se dia um você for em Esperantina - Tocantins, na região do Bico do Papagaio, precisa ir no Bar do Cachorrão. Fica bem localizado na praça central, perto da prefeitura. Aparentemente comum - balcão, sinuca, mesas e cadeiras de metal - o verdadeiro motivo da visita vem à tona no interior do ambiente. As paredes são recheadas de notas, recados, poesias e assinaturas. Rupestre arte urbana, diriam os críticos mais afoitos, mas o dono do bar, Aluízio Filho, o próprio Cachorrão, tem uma explicação mais sofisticada: se inspirou em um bar na França, onde esteve quando fora visitar a irmã na Europa.

Ao ouvir isso, não consegui interromper o fluxo de informações que partia daquele jovem senhor. Na cidade ele é uma espécie de celebridade. Possui um programa de rádio, uma casa de shows (Zuric Haus Paker) e promove inacreditáveis eventos. Os mais tradicionais são os Mega Bingos do Cachorrão. Patrocinado por quase todo o empresariado das redondezas (contando com mega corporações como os Armazéns Paraíba), as premiações superam a coerência do pequeno município com pouso mais de 10 mil habitantes: passagens de ônibus, eletrodomésticos, serviços de beleza, hortifrutos e, vez por outra, inesquecíveis "surpresas". Take a look e clique para ampliar:

Façam suas apostas!

sábado, 16 de julho de 2011

Diversão Antropológica: Porn Star

Fiz um comercial para um motel. Melhor, meus pés fizeram. Um amigo é da agência, chamou pessoas próximas (preservo o sigilo) e, HAHA, topei. Sem dúvidas, doei minha dignidade para a ciência. Foi interessante sabe, fui na pedicure pela primeira vez, precisava de um apelo estético. Sem drama, sempre cortei unhas em casa mesmo. Aproveitei a deixa e fiz a mão também. Recusei a base só porque não era fosca. De resto, já expliquei a situação [aqui].

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bomba relógio




Pra sentir vergonha alheia (V.A.) é preciso ser capaz de empatia - um sentimento repleto de altruísmo, onde nos colocamos no lugar do outro e sentimos o elo humano. Benção e maldição. Não é necessário presenciar. Apenas ouvir em uma roda de conversa sobre já resolve a equação. Fisgados pelo embaraço, não sabemos onde colocar a cara. Ás vezes, muito raramente, nem mesmo dá pra rir. E a história, que coisa, nem é com a gente.

Um filho que flagra o pai safenado com uma jovem manceba trancados no quarto; uma mãe que encontra um maço de cigarros na gaveta de cuecas do filho dócio e geek; vexame do estagiário no churrasco na empresa; ver aquele colegial com uma enorme mancha de pasta de dente que vai da testa ao pescoço. São situações com camadas e mais camadas de uma deliciosa cobertura sabor humilhação. E, repito: não.são.com.a.gente. Entretanto, não é uma distancia suficientemente segura. Sentimos nossos músculos se contraírem, ora tensos, ora aliviados.

Nas séries enlatadas é comum quando descobrem que a personagem certinha, vida invejável, conduta ilibada, gravou um soft porn nos anos 80. Olha aí a juventude, verdadeira hidrelétrica geradora de escândalos. Porque você sempre pensa que vai ter uma velhice confortável. Balela. Um dia vem alguém e coloca um DVD (no futuro vai ser o equivalente a uma fita cassete ou um vinil) num aparelho de DVD (hahaha, consigo ver a cena) de um comercial de motel que você fez quando tinha vinte poucos anos. “Olha lá, vovô, aqueles pés são seus, hein”. Eu vivo pra isso.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Não consegui me esquivar do barraco

Não conheço as pessoas. Não que elas me surpreendam, porque assim, é realmente difícil me chocar. Falo justamente das coisas que as pessoas escondem. Embaixo da pele, no íntimo da mente. Pretensamente seguras. Tranqüilo, porque nesse time eu também jogo.

Tenho esse vizinho, um senhor amargo. Não gosto dele, não me importo nem quero saber o que se passa na vida dele. Aliás, isso ocorria naturalmente até hoje. Tentei aumentar o volume da TV e me concentrar no closed caption. Tudo em vão.

Sintetizando o escândalo: um dos filhos desse senhor chega, sem avisar, vindo da academia, entra e pega o pai com uma jovem tran-ca-dos no quarto. Muita ira, muita revolta e gritaria. A culpa eu imagino até de quem é. Presenciei durante muito tempo, acompanhei a evolução do quadro em pessoas próximas. Conheço seus sintomas. É a deprimente crise de meia idade.

Li numa Reader's Digest (a mesma do Charlie Hench hahaha), compêndio literário de pura sabedoria, sobre essa fase terrível. É um misto de vazio e desespero. O fim da vida tá chegando e o tempo é curto. Depois dos quarenta a tendência masculina de querer aventuras de adolescentes aumenta bastante. Some a isso uma renda estável e o resultado são coroas comprando carrões off road, "arranjando" namoradinhas e ficando cada vez mais irresponsáveis. Como consequencia, alguns até abandonam a família: um trauma delicioso, disponível exclusivamente na raça humana.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Antiaderência social

No ensino fundamental, como em todo lugar, educação física era obrigatória. Na sexta série, a gente pôde finalmente escolher uma modalidade esportiva. Obviamente optei pelo futebol de salão. Meu pouco gingado, obtido em peladas na porta de casa, não foi suficiente. Tive que aguentar seis meses, ao final dos quais a gente podia trocar por outra coisa. Assim o fiz. Dessa vez, impulsionado pelo sonho do corpo grego, principalmente no quesito altura, lá fui pro basquete. Nota: doze anos, pouco menos de um metro e meio de distancia do solo. Senti o peso do fracasso atlético. Seis meses e nenhuma cesta. Não, nem nos treinos. Me expulsaram solenemente. Por fim, arrisquei o vôlei, onde, né, não consegui lá muito êxito.

Nos anos seguintes, no ensino médio, o encanto muscular acabou. Infelizmente, para poder faltar nas aulas, precisava de um atestado de invalidez ou, ra-ra, de alguma atividade extra. Aí temos então outro nível. Fiz a matricula no violino. Era desafiador e com o tempo consegui até arranhar algumas coisas. Com pouca decência, claro. No sexto mês, parei. Achei que não iria longe naquilo. Foi aí que entrei em um coral. Consegui passar um ano ininterrupto e mais outro de semi presença. Participei de apresentações com o grupo em teatro e tudo. Veio o vestibular, a pressão e os hormônios. O ciclo se repetia. Foi difícil continuar, sabe, estava com a confiança abaladíssima. Paguei de monge, os últimos anos de ensino médio passei entre a biblioteca do Sesc (lógico, me entupindo de ficção) e as sessões de cinema do Clube dos Diários e da Casa da Cultura. E hoje ainda sobra um tanto dessa inaptidão. Não caber, não servir. Bater na trave.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Unfit


Em algumas estórias de super herói, na parte em que eles aprendem a lidar com os poderes e com a questão de salvar o dia, eles passam pelo confronto da identidade. Então adotam uma alcunha e costuram um colant. Começa uma louca vida dupla. Por fim, e este é o ponto, vivem um conflito para se adequar, sendo que, né. Trabalham, tem família, namorada e mentem para o oculista para manter o disfarce ok.

Bill (Kill Bill 2) vai mais longe: "o Super-Homem não se transformou em Super-Homem, ele já nasceu assim. Seu alter ego é Clark Kent. O que Clark veste, os óculos e as roupas de trabalho, aquele é o seu uniforme, é o que o Super-Homem usa para misturar-se conosco. Clark Kent é como Superman nos vê. E quais são as suas características? Ele é fraco, inseguro... é um covarde. Clark Kent é a visão que o Super-Homem possui da raça humana".

Mas eu queria atentar para as pessoas que um belo dia se tocam que estão, de alguma forma, fora da média. E não, não é de uma forma positiva. Expoente maior se traduz no filme Freaks, no qual um circo abriga entre suas atrações uma turma bem bizarra. Show de horrores. Apesar disso, lá eles estão juntos, são uma família e protegem uns aos outros. Já no lineup do mundo cão, é uma questão de sorte. Dispersas, elas também não se encaixam, tal qual o herói. Diferentemente deste, a missão não chega a envolver raios lasers, é mais básica (e ainda sim épica). Basta resistir.

Má Influência

Tive esta professora de espanhol, descendente de mexicanos, que fazia capoeira, criava uma dúzia de cachorros e tinha um misterioso alto astral juvenil. Um dia ela apareceu na TV, nos jornais e na internet. A mulher maltratava a mãe. Ah, e fazia rituais satanistas, nos quais vez por outra tinha sacrifício de animais. Ossadas foram encontradas enterradas no quintal e tudo. Na manchete da notícia se dizia "Professora satanista pede 'pelo amor de Deus' para não ser presa". Tava pensando nela hoje, pegando um ônibus pro centro. São pessoas assim que ajudam a formar a personalidade da gente.

sábado, 2 de julho de 2011

Ponte Estaiada Club

Não imaginava que a Ponte Estaiada fosse se transformar num ponto de lazer. Nem é pessimismo, é só o fluxo das coisas por aqui: me sinto num cantinho especial da África com tantos elefantes brancos. Daí no fim da tarde, meio que por acaso, fui parar lá. Além de mudar de cor e do mirante, nãos abia do que a ponte era capaz. E, rá, achei super agradável, bem família, dando um pouco mais de personalidade pra vibe fitness da Raul Lopes. As fotos explicam melhor.

Climinha de parque.


Rapel.

Uma aula aleatória de capoeira. Brasil.


Contagem progressiva

Saturado do ócio, encontrei amigos da faculdade. As férias deles, lógico, mais movimentadas que as minhas. Almoçamos e fomos divagar sobre o futuro num bar perto do rio. Apropriado. No fim do ano a gente se forma e fica aquela apreensão pulsante. Carreira, dinheiro, realização. Tudo que enche uma boa palestra motivacional. Fico curioso pra saber onde a gente vai dar, sabe, igual aqueles filmes norte americanos onde, uns 10 anos depois do baile de formatura, rola um reencontro. E o que fica de gente chocada não tá escrito.

Wastin Time

THE SHOES - WASTIN TIME from Yoann Lemoine on Vimeo.

Esse é o retrato, com perturbadora nitidez, das minhas manhãs. Só me falta a bicicleta, porque essa entorpecência aí tenho por completo.

Full HD Sensation

Aproveitei esse último Maio chuvoso da minha janela.


Tenho uma câmera, às vezes esqueço. Vou passar a sair mais com ela, mesmo sendo pouco prática de carregar por aí. Queria fazer um tour fotográfico por algum canto aqui, sabe.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Guilt

Ontem teve essa festa junina nas dependências do centro de Farmácia na UFPI. O nome da comemoração era "Fharofa". Reflitam. Antes eu estava num aniversário de criança no C.A. de Jornalismo. O nome da menininha eu não lembro, só o da mãe: Vanessa. A noite termina com meu corpo no chão de um apartamento, francamente lúcido, refletindo se era esse o meu "futuro brilhante", porque, olha, tou aí com essa galera muito errada. Só enxergo uma queda qualiquantitativa no eixo de dignidade.