quinta-feira, 7 de julho de 2011

Antiaderência social

No ensino fundamental, como em todo lugar, educação física era obrigatória. Na sexta série, a gente pôde finalmente escolher uma modalidade esportiva. Obviamente optei pelo futebol de salão. Meu pouco gingado, obtido em peladas na porta de casa, não foi suficiente. Tive que aguentar seis meses, ao final dos quais a gente podia trocar por outra coisa. Assim o fiz. Dessa vez, impulsionado pelo sonho do corpo grego, principalmente no quesito altura, lá fui pro basquete. Nota: doze anos, pouco menos de um metro e meio de distancia do solo. Senti o peso do fracasso atlético. Seis meses e nenhuma cesta. Não, nem nos treinos. Me expulsaram solenemente. Por fim, arrisquei o vôlei, onde, né, não consegui lá muito êxito.

Nos anos seguintes, no ensino médio, o encanto muscular acabou. Infelizmente, para poder faltar nas aulas, precisava de um atestado de invalidez ou, ra-ra, de alguma atividade extra. Aí temos então outro nível. Fiz a matricula no violino. Era desafiador e com o tempo consegui até arranhar algumas coisas. Com pouca decência, claro. No sexto mês, parei. Achei que não iria longe naquilo. Foi aí que entrei em um coral. Consegui passar um ano ininterrupto e mais outro de semi presença. Participei de apresentações com o grupo em teatro e tudo. Veio o vestibular, a pressão e os hormônios. O ciclo se repetia. Foi difícil continuar, sabe, estava com a confiança abaladíssima. Paguei de monge, os últimos anos de ensino médio passei entre a biblioteca do Sesc (lógico, me entupindo de ficção) e as sessões de cinema do Clube dos Diários e da Casa da Cultura. E hoje ainda sobra um tanto dessa inaptidão. Não caber, não servir. Bater na trave.

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