sexta-feira, 8 de julho de 2011

Não consegui me esquivar do barraco

Não conheço as pessoas. Não que elas me surpreendam, porque assim, é realmente difícil me chocar. Falo justamente das coisas que as pessoas escondem. Embaixo da pele, no íntimo da mente. Pretensamente seguras. Tranqüilo, porque nesse time eu também jogo.

Tenho esse vizinho, um senhor amargo. Não gosto dele, não me importo nem quero saber o que se passa na vida dele. Aliás, isso ocorria naturalmente até hoje. Tentei aumentar o volume da TV e me concentrar no closed caption. Tudo em vão.

Sintetizando o escândalo: um dos filhos desse senhor chega, sem avisar, vindo da academia, entra e pega o pai com uma jovem tran-ca-dos no quarto. Muita ira, muita revolta e gritaria. A culpa eu imagino até de quem é. Presenciei durante muito tempo, acompanhei a evolução do quadro em pessoas próximas. Conheço seus sintomas. É a deprimente crise de meia idade.

Li numa Reader's Digest (a mesma do Charlie Hench hahaha), compêndio literário de pura sabedoria, sobre essa fase terrível. É um misto de vazio e desespero. O fim da vida tá chegando e o tempo é curto. Depois dos quarenta a tendência masculina de querer aventuras de adolescentes aumenta bastante. Some a isso uma renda estável e o resultado são coroas comprando carrões off road, "arranjando" namoradinhas e ficando cada vez mais irresponsáveis. Como consequencia, alguns até abandonam a família: um trauma delicioso, disponível exclusivamente na raça humana.

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