quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Crise dos 20 - Cartilha de auto ajuda

Que meus tios não me vejam por aí - eles perguntarão o que eu fiz com meu ‘talento’. Esperam algo brilhante, imagino. Decepciono na medida em que troquei minha, opa, virtuose, por horas desperdiçadas em redes sociais e pornografia. Que não perguntem minhas expectativas, quando nos esbarrarmos no shopping, ou no supermercado. Troquei um futuro salário de 5 digítos por dívidas atuais de apenas 3 – calculei mal, uma vez que fiz escolhas um tanto equivocadas.

Em Anos Incríveis, seriado com todo um clima do sonho americano da década de 70, no episódio Coda, o protagonista, Kevin Arnold (vivido pelo ostracizado Fred Savage) , no auge da infância, anunciava:
"Quando somos criancas, somos um pouco de cada coisa: artista, cientista, atleta, erudito. Às vezes parece que crescer é desistir destas coisas, uma a uma. Todos nos arrependemos por coisas das quais desistimos. Algo de que sentimos falta, de que desistimos por sermos muito preguiçosos, ou por não conseguirmos nos sobressair, ou por termos medo.

Gostaria de discordar, mas, percebam, não tenho fatos que provem o contrário.

O meu erro é ter feito tudo de lápis pra depois passar a limpo. A crise dos 20 não envolve realização, de cara, mas exige que esteja desenhado um caminho, que rotas estejam traçadas. Urge coordenadas. Se trata de um senso de direção e um senso de urgência. Ambos dão margem para uma perspectiva sombria onde tudo dá errado, o carro capota duas vezes, lança todo mundo no penhasco e ainda explode. Quem tem planos tem medo.

Como mais de 1/3 dos brasileiros tive uma formação cristã, da qual assim que tive chance me afastei – pra preservar meu senso de humor. Entretanto, uma coisa ainda me passa na cabeça com frequencia, justamente a parte de que todo sofrimento é recompensado, mais dia menos dia e portanto deve ser valorizado, inclusive, visto como necessário. Sem o referencial sacro, essa é a mesma metáfora da megasena (“um dia o ganhador pode ser você, continue apostando”).

Quando você não tem fé no divino, é imperativo que tenha fé em si mesmo(em carne, osso e resfriados). E assim como a primeira, ela também falha, oscila, ainda mais quando somos tão limitados e imperfeitos. É também uma questão de esperança e sobretudo de resistência. Afinal, quem não quer vencer a prova do lider?

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