Domingo, entre 3:00 P.M. e 3:00 A.M. O dia começa cheio de atividades pendentes do dia anterior. Infelizmente, não há nada em vista que indique mudança da situação. Pra amenizar a culpa, os amigos reunidos são uma boa opção.
Contraste. Um bar no meio do nada com gente que obviamente não pertence aquele lugar. Está rolando um bingo (que ano é hoje?) e o meu lugar é junto ao globo, chamando as bolas sorteadas, fazendo piada com os números. Foi o aniversário da Menina-que-trabalha-lá-em-casa. Achei coerente. Desejei uma carteira assinada, mas não da minha parte.
[memória corrompida]
Daí que quando me dou conta, estou em um caminhão polvilhado de cimento, areia e seixo. Repito: um caminhão. Dessa vez, o carregamento é de seres humanos (ok, podem discordar). Quando chegamos ao destino, outra festa de aniversário, o motorista resolve criar a sinfonia das mil buzinas. Só resta mesmo descer, com um lindo sorriso, e dizer “parabéns, querida, trouxemos uma mensagem pra você”. Feliz aniversário pra quem, afinal?
Animalescamente, ataquei a mesa farta - feita por uma mãe carinhosa, usando muito queijo, manteiga e farinha de trigo. Bate a depressão pós gula. A vergonha, o descontrole, as lágrimas. Abstinência alimentar, um drama da ficção agora perto de vocês.
[memória corrompida]
A noite segue como um carrinho de rolimã sem freio em uma ladeira rumo a uma cerca farpada. As cicatrizes estão logo abaixo dos olhos e não sairão com anti aging. Acho bonito a pessoa dizer “não prometi dignidade a ninguém” e levantar como se não tivesse feito na-da. Bonito.
Ps.: Voltei pra casa naquele mesmo caminhão, que aprendi a amar e respeitar.

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