segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Expectativas


No ônibus uma mãe se chateou com as perguntas do filho e disse: -“Nunca mais te trago”. Insensata. Mães são verdadeiras profissionais na hora de fazer promessas frouxas. É por isso que as crianças não aprendem alguns conceitos. Financeiramente falando, é difícil ensinar os filhos do valor das coisas, principalmente quando não se encaixam no orçamento familiar. Vou aproveitar o ensejo e falar da minha infância pobre, porque é Natal e essa magia coca-cola toma conta da gente.

Eu devia ter uns 10 anos (pausa para o choque) meu deus, 10 anos atrás... Certo, era Natal e eu sabia que não ia ganhar nada porque meus pais já tinham me explicado a idéia das dívidas e que boa parte delas envolvia a tortuosa sina de cuidar de mim. Daí meia noite me aparece a porra de uma bola de futebol, uma do tipo que a gente chama aqui de “bola de leite” - por causa da borracha molinha usada como matéria prima. Nem de futebol eu gostava, mas caí no choro, depois comecei a rir e voltei pras lágrimas. Bipolaridade infantil, quem curte?

A melhor forma de não se frustrar é educar as expectativas. Tento não alimentar alguns sonhos, só pra não me arrepender depois. Desfaço planos, apago metas e retiro estrelinhas douradas do meu quadro de recompensas porque, juro, seiqualé. Penso, por exemplo, em ligar para o curso de Design (que já paguei) e me re-matricular, mas não tenho horário disponível nem forças pra me dedicar bonito. Fica pra próxima semana e assim ad infinitum. Promessas são coisas sérias, nem atrevo a fazê-las pra mim mesmo, assim, por qualquer coisinha. Se bem que eu não preciso de promessas, mas de um cronograma. Enfim, se você espera o pior, quando ele não vem à toda carga, ótimo. Sobra um espaçozinho pra ser feliz e meio besta.

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