segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Velas apagadas

Tudo isso pode soar meio sem nexo, estranho e talvez apocalíptico. Faz um tempo li uma entrevista do Zygmunt Bauman, um senhor ícone da modernidade líquida. Em certa parte, ele dizia que sobrou pouco para nós, jovens: que todas as promessas de um mundo melhor são furadas, todas as instituições falharam e continuam em constante tilt, entretanto uma permanece digna de fé: nós mesmos, a instituição “Eu”. Na época julguei como radicalmente egoísta. Em passagem de um de seus livros, diz que muitos dessa “geração y” descolada e cheia de dramas nunca conseguirão um emprego ou um relacionamento fixo, além de sermos a sociedade do refugo, da superprodução de lixo e do consumo supérfluo. O pessimismo de Bauman é provocante. Às vezes, depende bastante do Prozac da galera, pode parecer a única interpretação razoável.

Qual seria sua mensagem para os jovens de hoje?

Gostaria que tentassem, apesar de tudo (e talvez esteja aí o elemento de nostalgia que você notou), apesar de todas as tendências em contrário e de todas as pressões de fora, reter na consciência e na memória o valor da durabilidade, da constância, do compromisso. Eles não podem mais contar, como a antiga geração, com a natureza permanente do mundo lá fora, com a durabilidade das instituições que tinham antes toda a probabilidade de sobreviver aos indivíduos. Isso não é mais possível e, na verdade, a vida humana individual, apesar de ser muito curta, abominavelmente curta, é a única entidade da sociedade de agora que tem sua longevidade aumentada. Sim, somente a vida humana individual vê crescer sua durabilidade, enquanto a vida de todas as outras entidades sociais que a rodeiam — instituições, idéias, movimentos políticos — é cada vez mais curta. Assim, o único sentido duradouro, o único significado que tem chance de deixar traços, rastos no mundo, de acrescentar algo ao mundo exterior, deve ser fruto de seu próprio esforço e trabalho. Os jovens podem contar unicamente com eles próprios e só haverá em suas vidas o sentido e a relevância que forem capazes de lhes dar. Sei que essa é uma tarefa muito difícil... mas é a única coisa que posso lhes dizer.

Ok. Chuck Palahniuk é um dos escritores que mais gosto. Motivos não faltam desde “Cantiga de Ninar”, primeira coisa que li dele antes de ‘Clube da Luta’. Depois veio “No Sufoco” e “Assombro” – cenário de muita sujeira, parafilias e neuroses. Hoje a tarde um grande amigo me veio deixar o “Snuff” e o “Diário”. Neste último, um dos personagens, Peter Wilmot, já foi muito rico, mas agora está em coma. Logo no início, no segundo escrito, de 22 de Junho (dá até pra ler aqui), traduz uma das coisas que se passa comigo além da descrença e do descrédito, tão assustadoramente descritos no quote – a velhice. Cadê meus Renew? risos. Não sei lidar com aniversários. Muito ou pouco, bom ou ruim? Tem gosto de euforia e adrenalina, de aposta, que supera o medo de falhar.

Percebam que Flapinho, outro aniversariante do mês, está mais feliz do que eu.

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