quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ballons



Rola um pouco de receio de estar enchendo balões furados. Básico: se a função do balão cheio de ar é voar, o destino dos balões vazios ou furados é cair. Essa metáfora é pertinente na medida em que usar o fôlego, gastar o ar à toa é bem foda. Funciona mais ou menos como nesses seriados nos quais a classe recebe ovos para cuidar como se fosse um filho. Eles se forçam a dar atenção, ficar de olho. É uma lição sobre o cuidado e exige um bocado de lucidez.

Acontece da autocrítica sair do controle e você sair olhando torto pra tudo que você acha que faz direito, pensando “tá certo isso, bom o suficiente?”. Quando eu tava terminando a monografia, portanto aquele momento meio tenso de se ver obrigado a vizualisar projetos de longo prazo, passava boa parte das noites com Lee e Yako. Somos amigos que podem se julgar sem relutância e sem pegar leve, porque, sério, pra quê camuflagens? 

Em uma daquelas noites fomos obrigados a lidar com a burocracia dos prazos. Lee teve que comprar passagens aéreas por telefone (dados, muitos dados!), eu tive que escrever meus slides da apresentação num guardanapo porque faltavam poucos dias e nunca tinha rolado a vibe antes, e Yako deveria acordar muito cedo - seria um dia importante no trabalho. Já eram duas da manhã e a gente tava bem alto. Embora a gente tenha conseguido, ficou aquela impressão de que, haha, a irresponsabilidade é muito sedutora. Em uma mão um balão, na outra uma agulha.

Os balões murchos desse post são do projeto Inflated/Deflated.

 

 

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