Hoje fui pela primeira vez a trabalho em um lugar pelo qual tenho um certo carinho. Chegar no tão familiar Centro de Artesanato tendo como motivo razões profissionais me encabula. Todo o centro da cidade tem um sentido muito forte pra mim porque muitas experiências de vida estão ligadas àquelas ruas e prédios.
Durante o ensino médio, era muito frequente ir com a Naelle, o Renan ou o Pedro Piel conversar no corredor Escola de Música, que fica no primeiro andar. Depois passei uns 8 meses nas aulas de violino, naquele mesmo lugar (já contei um pouco desse desastre musical). As estátuas de celebridades históricas, com as quais todo mundo faz tietagem, eram só nossos colegas de cenário.

Repetimos esta cena algumas milhares de vezes nas escadas da Escola de Música.
Por falar em ensino médio, a última vez que estive nas instalações do CEFET (atual IFPI) foi por conta de uma entrevista com o reitor de lá pra compor uma matéria pra um cliente. Logicamente, ele não me reconheceu. Enquanto esperava o horário marcado, passeei pelos corredores e salas, corroído pela nostalgia.
Outro lugar que ia constantemente pra ver o pôr do sol era a cobertura do Metropolitan. O pessoal não barrava a gente quando dizíamos que era pra fotografar a vista. Acho que massageava o ego deles. De fato, só fiz isso uma ou duas vezes, porque ia só pra conversar num lugar ventilado, quem conhece Teresina sabe o porquê. Daí que ano passado fiz alguns freelas que envolviam o hotel - o mais etílico aqui.
Creio que o importante, nesta altura da vida assalariada, é não deixar contaminar as memórias. Sei lá, tem a ver com preservar e ser fiel ao seu passado, embora muito do que acredito daquele tempo são da minha nova forma de lembrar.
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