Se na Renascença os nobres contratavam os pintores para retratá-los, esperavam uma boa perspectiva - queriam ser enaltecidos, imortalizados em beleza, atitude e em algum nível de sex appeal. Por isso, às vezes, exageravam no traço, esfumaçavam aqui e ali ou omitiam uma ruga. Eram os assessores de imprensa das belas artes. O marketing pessoal em óleo sobre tela. A foto de perfil está no meio desta vontade de deixar visível não apenas uma reprodução fiel, mas uma representação de aspectos que a pessoa mais admira em si mesma.
O desafio do fotógrafo de perfis (seja nas redes sociais, no msn ou, haha, no curriculum vitae), caso existisse, seria reconhecer a vaidade mesmo dos que são modestos demais pra expressar. Acho engraçado como o efeito de desfocar o fundo (fruto de um simples ajuste de foco) encanta tanto. O ar profissional de destacar o primeiro plano convence os mais impressionáveis. Esta seria a primeira exigência feita aos fotógrafos de perfis - assim como ter um profile em mais de três redes dá o direito adquirido a qualquer bípede de intitular-se "analista de redes sociais".
Ainda assim, o retrato é meu tipo favorito de fotografia. Nada contra paisagens, objetos inanimados, formas e texturas como sujeito da foto, mas o retrato me instiga mais. Particularmente, não vejo os “defeitos” faciais como um problema - são uma partitura em olheiras, sinais, marcas de expressão e assimetria. As proporções áureas desmanteladas.
Variação do mesmo tema, o auto-retrato é o que move um cara chamado Jeff Harris, que tira uma foto por dia ha um bom tempo. Sei, tem muitos projetos parecidos, mas ele procura tirar uma foto por dia de alguma coisa relevante, e não apenas o próprio rosto, pra demonstrar a ação do tempo. Dá pra entender melhor acessando o site dele e vendo isto:
Nenhum comentário:
Postar um comentário