sexta-feira, 9 de março de 2012

Não falo com rosas

Minha mãe fala com rosas. Antes mais, agora nem tão freqüentemente. Bem cedo, pela manhã, regava as plantas, um hábito difícil de conciliar hoje em dia. Ela acompanhava com expectativa o desabrochar de cada novo botão. E quando acontecia, às vezes ficava histérica e me gritava do jardim: “Téo, olha que linda!”. Às vezes baixinho, em segredo, ela conversava um pouco mais solene, como se fossem amigas. Vou dizer que se não fosse por ela, não teríamos plantas em casa.

Ano passado, ganhei de aniversário um cacto albino. A Isadora quem me deu, disse que dão pouco trabalho - mas me enviou junto uma carta de instruções, só por precaução. Então, a cada 7 dias faço furos na terra do vasinho de plástico e abro a torneira por alguns segundos. Não conversamos e questiono se ele tem bom humor. Ele não parece se importar. Fica lá na minha janela com seus espinhos que não furam ninguém.

Mesmo achando fotos de flores meio óbvias, para aplacar um pouco essa minha inaptidão, acessei hoje o blog da Lucy, que mora no norte da Inglaterra “em uma casa vitoriana com mais de 100 anos” e posta fotos de seus arranjos e outras coisas do seu lifestyle florido.




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