sábado, 3 de março de 2012

Estamos em obras, aceitem os transtornos

Há alguns meses a Agespisa, órgão municipal responsável pelo tratamento e manutenção do sistema de esgotos e abastecimento de água começou um trabalho de reestruturação e ampliação da rede tubular em alguns bairros da cidade. Os homens vieram, abriram buracos imensos nas ruas, atrapalharam o transito, o passeio público e o tráfego. E como se fosse sábado, feriado ou ponto facultativo, nunca mais voltaram. Na minha rua especificamente, graças ao órgão, foi criado um novo ponto turístico, o Meteoro da Paixão. Retirada do centro da Terra, a rocha tem mais 3m de comprimento promete ser a rota turística mais romântica do ano. Pesa toneladas, mas em breve estarão disponíveis miniaturas colecionáveis e muitas fotos com filtros vintages no Instagram.

Um casal apaixonado se prepara para pose no Meteoro da Paixão - Teresina. Usarão esse mesmo filtro sépia.

Já este indivíduo, claramente solteiro, aposta na visibilidade do ponto turístico para desencalhar.

Em capitais, e é bem razoável, existem todo tipo de problema urbano e espera-se que a gestão responsável saiba conduzir os recursos para solucioná-los, afinal, dã, elegeram pessoas pra isso. É o princípio mais básico da democracia indireta. Em Porto Alegre, o coletivo Shoot The Shit, entretanto, prefere um caminho mais colaborativo e aposta em boas ideias para contribuir com a cidade. Destaco duas bem provocantes, o “Paraíso do golfe”, no qual fizeram um vídeo demonstrando todo o potencial local para o esporte (só que ao contrário) utilizando os buracos nas ruas, e o #PoaPrecisa – intervenção que instigava as pessoas a completarem a frase “PoA precisa de mais...” em painéis de tapume.


Em outra linha de atuação, em Curitiba, o projeto Raio X Curitiba, de autoria do ex-prefeito (e atual pré candidato, mas não vou entrar no mérito) Gustavo Fruet faz algo interessante. Lançado este ano, disponibiliza um mapa da cidade no qual os usuários marcam e registram reclamações sobre infraestrutura, educação, saúde, etc – desde falta de energia à denúncias de pontos de drogas e relatos de assaltos. É como marcar um ponto no Google Maps e inserir informações. Em um mês de funcionamento o site recebeu 750 participações.

Pra finalizar a vibe cidadania desse post, o site Queremos Saber. Nele as pessoas pedem informações públicas aos órgãos responsáveis. A ideia é forçar uma resposta, baseado na premissa de que silêncio pega mal. Parece ter dado certo na Inglaterra, até porque se trata uma iniciativa inspirada em uma realização britânica de mesmo objetivo, o What do They Know. Funciona como um Reclame Aqui numa versão Wikileaks. Pra entender mais tem essa matéria no Estadão.

Aproveitando a deixa, penso em perguntar: “Elmano Ferrer, seu lindo, você gosta de Luan Santana?”.

Update: Destruíram o Meteoro! Cheguei em casa do trabalho e estavam dilapidando o monumento e, o que é mais intrigante, queimando-o - como se fosse uma mera pedra de crack! Um crime patrimonial. Perguntei porque eles estavam queimando o bagulho, "por que tanto ódio?". Me disseram que facilitava na hora de quebrar. Sobrou apenas uma marca negra no chão. Marcas do Raio da Saudade.

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