sábado, 9 de abril de 2011

Red Carpet


Eles tem uma câmera e vão usá-la. Entregam um cartãozinho e disparam o flash. No dia seguinte a sua foto com uma marca d’água pouco discreta deve estampar um site de gente “jovem, bonita e alto astral”. Prefiro deixar colunismo social pra quem sabe fazer elogios. Não sei lidar.

Momento científico. Em 2009 eu assisti uma apresentação sobre o corpo representado em jornais (de João Pessoa). Uma distinção bem explícita, feita pela pesquisa, é entre o corpo apresentado nas colunas sociais e nas editorias de cidade/policial. Enquanto um é o corpo cultuado, valorizado e como “instrumento de consumo”; o outro é o corpo mutilado, violentado, imperfeito, onde as pessoas ali mostradas perdem inclusive sua identidade. Desculpem qualquer pedantismo.

Meu corpo não serve. Mesmo fora do jornalismo diário, essas noções valem, em situações de maior ou menor ênfase. É o que garante, por exemplo, o plantão dos fotógrafos de balada. Ontem uma garota veio com aquele olhar de quem vai seqüestrar seus filhos, cheia de pose, maquiagem e rá!, com sua câmera. Quando ela mirou em minha direção, fiz logo uma cara estúpida de retardado. Não sei se funcionou, talvez a essa altura eu já tenha “caído na net”.

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