quarta-feira, 13 de abril de 2011

Adele

"Minha música não é sobre peitos e bundas. Não faço música para os olhos. Faço para se ouvir."

Provavelmente eu não seja capaz de escrever esse post tal qual imagino na minha cabeça, mas vale a tentativa. Nem de longe é uma crítica. Soa mais como um depoimento. É sobre uma presença, uma aura de blues que me cerca desde o meio de fevereiro e essa semana estampa a capa da Rolling Stones.


Adele tem 21 anos, um vozeirão fascinante e consegue me traduzir.


O nome dos álbuns (19 e 21) acompanham as experiências da história complexa de relacionamentos da cantora até o momento - representam, segundo ela em seu blog, uma foto, onde você pode ver as mudanças através do tempo e no que você se transformou. Sim, atualmente ela também passa por uma crise dos 20, o subtítulo de todo meu drama. É um tema universal.

O Alexandre Inagaki do Pensar Enlouquece, Pense Nisso caminhou pelos sentimentos de cada faixa e me contempla no resultado. Nessa entrevista, feita à revista ela própria explica o percurso de sua inspiração e como adaptou isso ao seu trabalho. Viver de música é um desafio olímpico. O pódium não cabe muita gente, como vocês podem perceber. Portanto não se trata apenas de despejar #mimimi em uma balada de violão e deixar o setor de publicidade cuidar do resto. Isso é marketing, apenas. Entretanto é como funciona mainstream.

Embora, e nao dá pra fugir, ainda seja um produto de consumo, Adele foge dos padrões nesse aspecto. Está fora do peso, não rebola nem tenta seduzir seus fãs de outra maneira se não com a voz - nem mesmo possui um estilo visual de provocação estética, ainda que cativante. É interessante notar, vendo a entrevista: no tempo livre, fora do estúdio, na sala ou no jardim, ela fuma tranquila, faz mil gordices, se veste desleixada, solta o cabelo e ri de.li.ci.o.sa.men.te, como quem não se leva tão a sério. Preciso dar um abraço-felícia nessa mulher!

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