segunda-feira, 11 de abril de 2011

Marcha Fúnebre

Não existe assunto algum em que os gregos não possam dar um pitaco.

Essa amiga minha faz psicologia. Ela me explicou um termo que me segue ate hoje. Ela trabalhou 10 anos em uma empresa do ramo de saúde aqui em Teresina, era bem sucedida e tinha carreira. Teve uma epifania e largou tudo, acho. Daí passou um tempo de molho, em casa, porque, segundo ela, era a perda de um relacionamento sólido – semelhante a um casamento. Por um tempo a rotina faria mesmo falta.

Então ela começou a cursar Psicologia e encontrou o lugar dela no mundo - já tá se formando. Participamos no início do ano do Projeto RONDON, essa aventura louca, mas imprescindível. Na ida, ainda no avião, conhecemos um professor de biologia, sentado na poltrona da frente. Foi uma conversa interdisciplinar entre um jornalista, uma psicóloga, uma fisioterapeuta e o biólogo que durou todo o vôo. Foi quando entendi o que significa “elaborar o luto”.

É um período de superação. Primeiro você se sente o Atlas, depois desaba chorando, fica deitado achando que vai durar pra sempre, mas daí você acaba se reerguendo aos poucos e , enfim, ta lá de pé e vivão again. Lógico que as etapas não são exatamente essas, mas é como eu consigo explicar no momento (mal feat. porcamente).

Uma separação, uma perda, um distanciamento, e não só a morte, exigem a elaboração do luto. E chegamos ao ponto. Nem sempre a gente se cura. Não praticamos o desapego pleno. Achamos muita coisa fundamental, sem as quais não podemos existir, quando a única cola entre nós e as coisas (ou outras pessoas) é uma dependência que nos conformamos em não lutar contra.

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