segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bomba relógio




Pra sentir vergonha alheia (V.A.) é preciso ser capaz de empatia - um sentimento repleto de altruísmo, onde nos colocamos no lugar do outro e sentimos o elo humano. Benção e maldição. Não é necessário presenciar. Apenas ouvir em uma roda de conversa sobre já resolve a equação. Fisgados pelo embaraço, não sabemos onde colocar a cara. Ás vezes, muito raramente, nem mesmo dá pra rir. E a história, que coisa, nem é com a gente.

Um filho que flagra o pai safenado com uma jovem manceba trancados no quarto; uma mãe que encontra um maço de cigarros na gaveta de cuecas do filho dócio e geek; vexame do estagiário no churrasco na empresa; ver aquele colegial com uma enorme mancha de pasta de dente que vai da testa ao pescoço. São situações com camadas e mais camadas de uma deliciosa cobertura sabor humilhação. E, repito: não.são.com.a.gente. Entretanto, não é uma distancia suficientemente segura. Sentimos nossos músculos se contraírem, ora tensos, ora aliviados.

Nas séries enlatadas é comum quando descobrem que a personagem certinha, vida invejável, conduta ilibada, gravou um soft porn nos anos 80. Olha aí a juventude, verdadeira hidrelétrica geradora de escândalos. Porque você sempre pensa que vai ter uma velhice confortável. Balela. Um dia vem alguém e coloca um DVD (no futuro vai ser o equivalente a uma fita cassete ou um vinil) num aparelho de DVD (hahaha, consigo ver a cena) de um comercial de motel que você fez quando tinha vinte poucos anos. “Olha lá, vovô, aqueles pés são seus, hein”. Eu vivo pra isso.

2 comentários:

  1. meus pais tem, até hoje, uma fita VHS em que danço xuxa com cinco anos. como lidar?

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  2. eu tenho uma foto vestida de CHIQUITITAS, com o PAPAI NOEL DO SHOPPING no natal de 97. por que, meu deus?

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