segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Resiliência

Estava lá pelo centro, esperando uma reunião folheando minha National, tentando precisar o quanto não sou fotógrafo só por ter uma câmera legal. Num determinado momento não consegui mais me concentrar. Olha, já fui uma pessoa fraca, sou obrigado a admitir. Acho que todo o constrangimento que passei nos últimos fins de semana me rejuvenesceu. Li que companhias ruins podem acabar destruindo você, te dar câncer e fazer infartar. Por sorte, a máxima do “se não mata, fortalece” segue em alta.

Hollywood me devoraria até os ossos. Perguntei pra uma amiga se eu ficaria rico caso transformasse minhas experiências recentes em um roteiro pra uma série junkie e soft porn. Ela disse que sim, mas eu teria que contar toda a verdade. Achei razoável. “Para pais saberem como não criar seus filhos e para os filhos saberem como viver de verdade” - ambivalente, este seria o subtítulo da obra. Daí lembrei daquele cara (Richard) de As Horas, que escreveu uma autobiografia disfarçada de romance e todo mundo achou ruim, piegas e nostalgicamente contaminado. É difícil celebrar a juventude depois que ela acaba, acho.

As molas possuem a elástica e invejável capacidade de, quando submetidas à tensão, voltarem ao normal. Cheguei ao ponto em que não consigo me negar ao confronto. Quero justamente enfrentar, passar por. É possível, percebi. Tinha medo de ser vazio por dentro. Lembro que no cinema assistíamos A Paixão de Cristo, aquele do Gibson. Todo aquele sadismo destemperado e pá, lágrimas desesperadas na platéia. Menos em mim. Pensei que era insensível, mas não, apenas desenvolvi uma tolerância maior ao choque.

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