O jornal 'O Dia' de hoje publicou o artigo "Vergonha de exercer a cidadania", escrito pela professora Eulália Vasconcelos. Ela foi minha inspiradora professora de Teorias da Comunicação e Teorias do Jornalismo e atualmente faz mestrado na Universidade de Nagoya, Japão. Achei lúcido e pertinente:
No fim da tarde, como vem acontecendo há alguns dias, as empresas retiraram as frotas de circulação. Alegam temer danos ao patrimônio. Incoerente mesmo é que apesar disso, defendem com unhas e dentes o direito de ir e vir. Paradas lotadas, pessoas cansadas e iradas que só precisam chegar em casa, precisam jantar e tomar um bom banho, precisam de suas famílias. O artifício é fazer com que os usuários de ônibus sintam um misto de raiva e nojo dos manifestantes pelo transtorno que vem causando - embora eles também sejam penalizados diariamente, uma vez que o valor das passagens se prova abusivo.
Pois bem, que grata surpresa: os protestos tomaram um rumo no mínimo autêntico. Forçaram os motoristas a abrirem as portas traseira dos veículos, por onde todos entraram de graça e uma vez lotados a via era desobstruída e seguiam viagem. Sem vandalismo ou anarquia, sem discursos ou bandeiras. Apenas uma bomba explodiu hoje: uma bomba atômica de aplausos. Mais uma aula de pressão política e o preço da passagem baixou, por algumas doces horas, para zero. Sempre achei que de graça mais gostoso.
É professora, acho que estamos perdendo a vergonha. Estamos aprendendo.




ótimo texto!
ResponderExcluirai amigo, chorei só de lembrar dos rostinhos de aplausos :')
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