Lee veio dormir aqui em casa. A gente acordou meio dia, almoçou, dormiu de novo e quando levantamos no fim da tarde, ela pediu pra cortar meu cabelo. Deixei porque não me importo mais e também seria divertido - ou seja, não rolou rebeldia, deprê nem coisa nenhuma. Pegamos tesouras grandes, fomos para um espaço aberto e começamos o trabalho. Os primeiros tufos no chão foram os mais dramáticos.
Quando não deu mais pra cortar com tesoura, peguei o creme de barbear e o barbeador. Foi, talvez, a parte mais complicada porque só tínhamos um barbeador de três lâminas. Todas elas estão cegas agora. Nunca tinha raspado a cabeça (mas já cheguei bem próximo), nem mesmo na época do vestibular. É uma bobagem, mas não sou muito bom com rituais. Em todo caso, cabelo é só um acessório: prefiro muito mais um estômago bem regulado.
Hoje de manhã quando minha mãe bateu na porta do quarto para pedir alguma coisa, não chegou nem a terminar a frase: “...O QUE FOI QUE TU FEZ?!”. Nada, só raspei a cabeça, disse ainda dormindo. Ela ficou por um tempo disparando perguntas atônitas. Saiu de casa meio chocada, o que é relativamente normal quando pais se dão conta que perderam o controle de algumas coisas básicas.
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