quinta-feira, 3 de maio de 2012

Maquete


Gosto de pensar no processo criativo dos outros, o porquê e como as pessoas fazem o que fazem - suas conexões e a forma que organizam suas experiências. Me pego verificando plataformas e tentando entender o grau de envolvimento entre a ideia e a técnica utilizada pra comunicá-la. No fundo tudo se resume a leitura. Ler um vídeo, uma música, por assim dizer, faz todo o sentido uma vez que estamos lidando com linguagens. Lógicas codificadas. Assisto os making offs, live streams, vejo o blog da marca, baixo as soundtracks dos filmes e vou atrás do artbook do cenário. Pelo contexto, sabe.

Tenho uns dois exemplos pra explicar essa ideia. O primeiro envolve a editora Companhia das Letras que após algumas polêmicas (que não vou entrar no mérito agora) decidiu patrocinar o projeto Amores Expressos, idealizado pelo produtor cultural Rodrigo Teixeira: 16 escritores brasileiros foram enviados para 16 cidades em países diferentes ao redor do mundo, onde passaram 30 dias. Eles captaram, cada um a seu modo, algumas impressões e então cada escritor retornou com um enredo para um romance ambientado na cidade em que esteve – os livros estão sendo publicados pela editora (ela pode recusar fazer isso caso não goste do resultado, tá no contrato – tem que render simbolicamente e materialmente, normal).

Paralelo a isso, o projeto incluía alimentar um blog pessoal, onde os autores dividiam com o público o que passavam, pensavam ou simplesmente viam. Ou seja, o autor não estava isolado do mundo, imerso apenas naquela situação. A Companhia das Letras ainda gravou mini documentários depoimentais com os escritores, ou seja, de uma forma ampla, desnudou o processo criativos daquelas pessoas, uma coisa deliciosa que faz o Youtube ainda valer a pena. Destaco três que mais gostei: Lourenço Mutarelli (NY), Antonia Pelegrino (Mumbai) e Joca Reiners Terron (Cairo).

O segundo exemplo também é literário. Em seu blog Michel Laub, se propôs a um desafio dos 100 escritores (que nunca veríamos no Facebook), onde ele pede para eles falarem sobre suas manias. Me senti menos mal por algumas que possuo.

Por fim, um extra: numa entrevista, uma pintora francesa explica porque cria. Isso conclui o post. =]


Why do you create? What is it about being creative that makes it something important for you to do?"I create because I have no other choice, and I am very bad at any other occupation. Creating is part of my personality and if you remove it from me, I may become a ghost."

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