domingo, 9 de outubro de 2011

Rock in Rio 1º de outubro

Cheguei no primeiro fim de semana do festival, mas só havia comprado tickets para o último sábado e domingo. Sinceramente, sem medo de ser chamado de playboy, só queria ver o show do Coldplay. Ou a cidade do rock não é tão grande quanto parece no mapa, ou talvez o aperto, o empurra-empurra e as filas fizeram tudo parecer um formigueiro humano. Logo quando cheguei, me perdi dos amigos e assim continuei até a hora de voltar pra casa. Funciona como analogia para outros campos da minha vida, ok.

Minha expectativa sob controle, foi possível aguentar os shows de todo resto. Só comecei a me aproximar do palco durante a sofrível apresentação do Maná. Mais de 100 mil bocejos, contabilizou a organização do evento. M5 tampouco me interessava, mas serviu para sair do coma induzido pela banda anterior. Vamos lembrar que minha versão leva em conta, tsctsc, meu ânimo. Quem quiser elogios para seus artistas favoritos não está no lugar certo.

Minha vontade maior era que o Coldplay enlouquece e resolvesse tocar só as músicas do X&Y. Fantasias a parte, o repertório (set list, pela pedância) me agradou completamente. Sabe, o show foi bem mágico. Era o último da noite. Chris deve ter acompanhado do camarim e se compadeceu por todos aqueles que passaram por Maná e sobreviveram, abriu o espetáculo com um “Obrigado por esperarem tanto”. Daí em diante, eu estava em boa companhia. Foi ‘o melhor show da minha vida’? Sim, foi.

Chris Martin no Palco Mundo
Recursos fáceis como chuva de papel picado, pedir resposta de ‘heey-hoow’, apontar o microfone pra galera e pôr a mãozinha no ouvido, ficam menos óbvios quando misturados com talento. Prova maior de carisma, e justamente pela simplicidade pueril, foram as músicas “Mas que nada” (Jorge Ben) e um “Olê, olê, olê”, carinhosamente dedilhadas por Chris. Ele também merece méritos por pichar o palco com “Ri♥”, abrir “Fix You” com os versos de “Rehab” e cair extasiado com os gritos de milhares de noveleiros cantando o refrão chiclete de “Viva La Vida”. O que vale é a perfomance.

Chorei feito uma criança que sente saudade dos pais, quando em uma viagem de férias à casa de parentes no interior. Em verdade, me despedia de minha adolescência loser, cheia de poesias ensimesmadas, melodrama mexicano e revoltinhas mimimi. Encerrar ciclos com um ritual, quem nunca? Naquela multidão, a cena era um cara gritando(!) as músicas e com as mãos pra cima, tentando agarrar fogos de artifício - e conseguindo. Adeus, anos 00’.

Meu troféu.

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