domingo, 9 de outubro de 2011

Núvem Negra

Em suas comédias, Oscar Wilde desenha a sociedade burguesa européia de sua época com pinceladas de cinismo, prepotencia e hiprocisia. Um bando de gente insuportável, resumindo. O tempo não foi suficiente, entretanto, para me negar a convivência com uma réplica tupiniquim daquele antro.

Eu tenho aqui o costume de usar outros adjetivos, adaptados para meu contexto de pessoas irritantes: gratuitas, avulsas e aleatórias. Cada uma dessas palavras está presente em meu dia-a-dia para poupar um léxico considerável de palavrões. Felizmente, apenas uma pessoa conseguiu receber esse título tríplice: a Mother Monster.

Meu objetivo, bom abrir o parêntese, não é paz de espírito, então meu coração se permite, quando dá tempo, a ficar preenchido até a metade de uma mistura venenosa de raiva e nojo.

A Mother Monster era uma pessoa bastante difícil. Em boa parte das situações os motivos para suas decisões eram absolutamente irrelevantes, o que não a impedia de tomar atitudes super enérgicas e aditivadas com zombaria. O transtorno de multipolaridade batia forte, out of the blue, e Mother Monster estava lá, assustando as crianças no parquinho. Coisa sinistra.

Eu acredito que ela costumava ficar no espelho, repetindo pra si mesma que era a melhor e mais capaz pessoa que passou pela Terra até então - e, né, só aceitava ser tratada como tal. Imagino como devia ser difícil, aguentar o fardo de ser tão superior, pertencer a um grupo ímpar de iluminados - que com certeza sabem de algo que eu, você e todo o resto não sabemos.

Sou civilizado, ando por aí me gabando inclusive. O meu desejo, quando não gosto de alguém, é que nossos caminhos sejam extremamente independentes um do outro, a ponto de podermos nos ver, sentar num bar, tomar uma cerveja e pá, no phone calls, sem pedir nada emprestado, sem vir aqui em casa ver um filminho. Desejo dinheiro, felicidade e milhares de quilômetros de distância.

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