sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Teia de afeto


Uma coisa é clara no que diz respeito às companhias que temos: mais importante do que o tempo é a intensidade. Esta última define a profundidade das marcas impressas sobre o primeiro. Tem um sociólogo que fala que ao escolhermos nossos amigos, estamos escolhendo nossos deuses:

Um homem escolhe uma mulher e um bom amigo em atos de auto definição. Aquelas pessoas que ele conhece mais intimamente são aqueles com quem ele tem de contar para sustentar os elementos mais importantes de sua auto-imagem. Portanto, a desintegração dos relacionamentos com essas pessoas equivale a arriscar a perde-se a si mesmo de maneira inapelável.”

Gosto tanto de algumas pessoas e acho que elas nem sabem, provavelmente porque eu sou meio desleixado. Então algumas coisas acabam não sendo ditas, talvez mais do que eu consiga contabilizar. Um dia, espero, vou ser bom o suficiente com as palavras e usar os verbos certos pra explicar que sim, valorizo muito meus amigos – e nossa, no fim das contas nem são tantos  que sim, preciso deles por perto (o que não é uma questão exclusivamente geográfica).

É verdade aquilo que diz a música: deixo e recebo um tanto. Sem perceber, porque certos tipos de sentimentos se acumulam sutilmente, germina essa zona de contato e mais do que isso, de pertença mútua (mas uma do tipo indolor). É de natureza invisível, mas se reconhecer, reciprocamente, no olhar dos amigos torna essa ideia mais concreta. Meio que uma teia feita de afeto.

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